Ex-ministro da Justiça pretende conversar com Temer ainda hoje sobre novo cargo no governo; Serraglio já foi gravado em grampo da Operação Carne Fraca e agora pode liderar órgão destinado ao combate à corrupção

Caso não retome o mandato como deputado federal, Osmar Serraglio garantirá foro privilegiado a Rocha Loures
Reprodução/Twitter
Caso não retome o mandato como deputado federal, Osmar Serraglio garantirá foro privilegiado a Rocha Loures

O agora ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB), substituído na pasta por Torquato Jardim , pode não retomar seu mandato na Câmara dos Deputados. Isso porque ele é cotado para comandar o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU), cuja chefia até então era exercida justamente por Torquato Jardim.

Caso se concretize, a dança das cadeiras envolvendo Serraglio e Torquato garantirá ao deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-RR) o posto na Câmara dos Deputados. Filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados pela JBS, Rocha Loures é o suplente de Osmar Serraglio na Câmara e, caso o ex-ministro da Justiça retomasse o mandato, ele perderioa a prerrogativa do foro privilegiado e seria julgado pela Justiça comum.

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), um dos mais ferrenhos apoiadores do governo na Câmara, confirmou ao iG nesta segunda-feira (29) que o cargo na CGU foi oferecido a Serraglio e que a bancada do partido na Câmara apoia sua nomeação no órgão.

"A bancada apoia isso. Ele é um companheiro valorozo e seria uma forma de mantê-lo na equipe ministerial. A decisão depende mais dele, que quer conversar com o presidente da República", disse Marun.

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Serraglio foi citado na Carne Fraca

O candidato de Temer para liderar um órgão destinado a combater a corrupção já foi pontado no passado como aliado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e também acabou flagrado em um dos grampos telefônicos  da Operação Carne Fraca .

Na ocasião, os investigadores da Polícia Federal gravaram diálogo entre Serraglio e Daniel Gonçalves Filho, que é apontado como "líder da organização criminosa" envolvendo agentes fiscalizadores e frigoríficos investigados na Carne Fraca.

Na ligação grampeada, o peemedebista inicia a chamada exclamando "grande chefe. Tudo bom?". Serraglio relata um "problema em Iporã", cidade do Paraná, e Daniel diz que não tem conhecimento do assunto, no que Serraglio dá a seguinte explicação:

"O cara lá que... O cara que tá fiscalizando lá... Apavorou o Paulo lá. Disse que hoje vai fechar aquele frigorífico... botô [sic] a boca... Deixou o Paulo apavorado! Mas pra fechar tem o rito, num tem? Sei lá. Como que funciona um negócio desse?", pergunta o então deputado.

"Paulo", no caso, seria o empresário Paulo Rogério Sposito, dono do frigorífico Larissa e que já foi candidato a deputado federal em São Paulo pelo PPS, em 2010.

Daniel responde a Serraglio que vai "tomar pé da situação" e encerra a ligação. Posteriormente, segundo a Polícia Federal, o então superintendente regional do Mapa ligou para uma de suas subordinadas, Maria do Rocio, falando sobre o possível fechamento do frigorífico Larissa em Iporã.

Após a divulgação do grampo, em março deste ano, Osmar Serraglio reconheceu  que a indicação de Daniel Gonçalves Filho para o cargo de superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Paraná, em 2007, partiu da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados. Ele, no entanto, responsabilizou o então deputado Moacir Micheletto, morto em 2012, como responsável pela indicação.

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