Deputado que presidiu comissão do impeachment é suspeito por esquema no DF

Procuradoria-geral da República recebeu parecer de investigadores sobre a participação de Rogério Rosso (PSD) em esquema de propina envolvendo obras do estádio Mané Garrincha; PGR pode pedir inquérito no Supremo
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados - 13.7.16
Rogério Rosso (PSD) presidiu a comissão especial que analisou o pedido de impeachment contra Dilma na Câmara

O deputado federal Rogério Rosso (PSD) foi apontado como um dos supostos beneficiários do esquema de pagamento de propina envolvendo a construção do estádio Mané Garrincha, em Brasília. As irregularidades acerca das obras para a Copa do Mundo de 2014 na capital federal são investigadas na Operação Panatenaico, deflagrada nesta terça-feira (23)  pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal.

De acordo com o MPF, Rogério Rosso foi mencionado em depoimentos colhidos durante as investigações, tendo sido acusado de pedir e receber propina em contratos para as obras do Mané Garrincha. A atividade irregular do deputado do PSD teria ocorrido em 2010, período em que ele assumiu o Governo do Distrito Federal em um mandato-tampão de oito meses, no período entre as gestões de José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT) – ambos presos na Operação Panatenaico.

Os investigadores do Ministério Público encaminharam ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, um parecer recomendando que seja pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar se houve participação de Rosso no esquema. De acordo com a assessoria de imprensa do STF, esse pedido não foi apresentado à Corte até a publicação desta reportagem.

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Rogério Rosso ganhou notoriedade nacional no ano passado, quando foi escolhido para presidir a comissão especial que analisou o pedido de impeachment contra a hoje ex-presidente Dilma Rousseff.

Procurado pela reportagem do iG, a equipe do deputado federal ainda não se manifestou a respeito das acusações.

Operação Panatenaico

Ao todo, foram cumpridos nesta terça-feira dez mandados de prisão temporária, 15 de busca e apreensão e três de condução coercitiva. Entre os presos, além dos ex-governadores do DF Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda, está também o assessor pessoal do presidente Michel Temer, Tadeu Fillippelli – que posteriormente foi exonerado.

As investigações se baseiam em acordos de colaboração premiada de ex-diretores da construtora Andrade Gutierrez , que teria atuado em cartel junto à outras empreiteiras para garantir o contrato de construção do Estádio Nacional de Brasília. A obra foi inicialmente orçada em R$ 690 milhões, mas acabou custando cerca de R$ 1,5 bilhão.

Segundo as investigações, o esquema envolveu o repasse por parte das construtoras Andrade Gutierrez e Via Engenharia de 1% do valor total da obra para agentes políticos. Os pagamentos teriam sido viabilizados por meio de doações de campanha – formais e por meio de caixa dois, além da simulação de contratos de prestação de serviços. Pessoas ligadas aos agentes políticos eram os responsáveis por fazer as cobranças junto às empreiteiras e também por operacionalizar os repasses dos valores. Os relatos revelam dezenas de pagamentos de propina que, em valores preliminares, somam mais de R$ 15 milhões, de acordo com o MPF.

Até o momento não há relatos sobre o valor que o deputado Rogério Rosso teria recebido no esquema.

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