Deputado afastado Rocha Loures entrega mala com R$ 500 mil em dinheiro vivo à PF

Aliado do presidente Temer entregou a mala, que estava "desaparecida" desde o flagrante contra ele, pessoalmente, à Polícia Federal de São Paulo
Foto: Agência Câmara
Deputado afastado Rodrigo Rocha Loures é apontado como intermediário de Michel Temer para assuntos do grupo J&F

O deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) entregou, na noite desta segunda-feira (22), na sede da Polícia Federal de São Paulo, a mala preta com R$ 500 mil em dinheiro, que estava 'desaparecida' desde a noite do dia 24 de abril – quando o parlamentar, aliado do presidente da República, Michel Temer (PMDB), foi flagrado com ela.

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Segundo José Oliveira Lima, advogado de Loures, o deputado afastado entregou a mala pessoalmente à PF. Apontado como intermediário de Michel Temer para assuntos do grupo J&F com o governo, Loures foi filmado recebendo a mala de dinheiro e saindo apressado do estacionamento de um pizzaria nos Jardins, na zona sul da capital

Entenda o caso envolvendo Temer

Segundo as investigações da PF, o presidente indicou o então deputado para resolver uma disputa relativa ao preço do gás fornecido pela Petrobras à termelétrica do grupo JBS.

O empresário Joesley Batista , um dos donos da JBS, marcou um encontro com Rocha Loures em Brasília e contou sobre sua demanda no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Pelo serviço, Joesley ofereceu propina de 5%, e o deputado deu o aval.

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Depois disso, o deputado afastado foi filmado pela PF recebendo uma bolsa com R$ 500 mil enviados por Joesley, após combinar pagamento semanal no mesmo valor pelo período de 20 anos. Apenas a primeira parcela de R$ 500 mil teria sido paga, segundo a delação dos irmãos Batista.

Após os desdobramentos da denúncia, o presidente afastou a possibilidade de renúncia e reiterou que jamais discutiu qualquer pagamento feito pelo JBS à Eduardo Cunha.

A defesa do presidente argumentou neste sábado (20) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a perícia no áudio entregue pelo empresário Joesley Batista à Procuradoria-Geral da República (PGR) é necessária para justificar a investigação contra o presidente.

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Em pronunciamento na tarde deste sábado (20), no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente da República, Michel Temer, afirmou que vai solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão do inquérito aberto contra ele. O presidente subiu o tom, e chegou a chamar Joesley Batista de "criminoso".

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