Homologadas por Fachin, relator da Lava Jato no STF, as delações são as responsáveis pelo escândalo político que chocou o País desde a última quarta

Sigilo dos documentos, incluindo vídeos e fotos, já foi retirado pelo ministro do STF, Edson Fachin, relator da Lava Jato
Carlos Humberto/SCO/STF - 23.6.16
Sigilo dos documentos, incluindo vídeos e fotos, já foi retirado pelo ministro do STF, Edson Fachin, relator da Lava Jato

O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou, por volta das 12h20 desta sexta-feira (19), o conteúdo das delações premiadas dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, no âmbito na Operação Lava Jato.

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Homologadas pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, as delações são as responsáveis pelo escândalo político que chocou o País desde a última quarta-feira (17). O sigilo dos documentos, incluindo vídeos e fotos, foi retirado ainda nesta quinta pelo ministro.

Na quarta, o jornal O Globo denunciou, em reportagem exclusiva, que o presidente da República, Michel Temer (PMDB) e o, agora afastado, senador Aécio Neves (PSDB) estavam envolvidos em um esquema de entrega de propina e de compra de silêncio com a JBS.

De acordo com o jornal, ambos teriam sido citados por Joesley Batista, em uma delação que apresentava gravações de conversas com os dois políticos.

Ainda nesta quinta (18), o conteúdo de uma dessas gravações foi divulgado. Em um dos trechos mais polêmicos da gravação, que é uma conversa do empresário com Temer, Joesley fala ao presidente: “O que eu mais ou menos estou fazendo até agora? Eu estou de bem com o Eduardo…” e é interrompido por Temer, que diz: “Tem que manter isso, viu?”.

Também nesta quinta, a transcrição da gravação que envolve Aécio foi obtida e divulgada com exclusividade pelo site Buzzfeed Brasil. Na conversa, fica revelado como Aécio queria interromper as investigações por crimes de corrupção. 

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“Como se vê da transcrição, Joesley e o Senador Aécio Neves, numa reunião intermediada pela irmã do parlamentar, Andrea, que já havia sido a portadora da solicitação da vantagem indevida feita por seu irmão, acertam o pagamento de 2 milhões de reais, em quatro parcelas semanais, a serem recebidos por um intermediário, no caso, seu primo Frederico Medeiros (Fred)”, conclui o ministro Fachin, responsável pela transcrição da gravação.

Todas as demais informações relatadas pelos irmãos Batista virão ao público nesta sexta-feira. 

Temer investigado

Diante disso e de tudo o que foi relatado pelos delatores aos investigadores, Fachin autorizou, a pedido da Procuradoria-Geral da República, a abertura de um inquérito para investigar o presidente Michel Temer. 

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Com isso, oficialmente, Temer passa a ser um investigado da Operação Lava Jato. Mesmo com tal perspectiva, o presidente veio ao público nesta quinta anunciando que não renunciará ao cargo.

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