Proprietário da empresa JBS afirma ter gasto cerca de R$ 500 milhões em pagamentos irregulares; delação gerou crise política em Brasília

Empresário Joesley Batista estima que pagou aproximadamente R$ 500 milhões a agentes políticos
Reprodução/Facebook
Empresário Joesley Batista estima que pagou aproximadamente R$ 500 milhões a agentes políticos

Durante os depoimentos feitos à PGR (Procuradoria-Geral da República) em razão de seu acordo de delação premiada, o empresário Joesley Batista confirmou que a empresa JBS fez doações oficiais de campanha para efetuar o pagamento de propina a políticos que deram contra partidas para beneficiar a empresa.

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Joesley Batista disse aos procuradores que cerca de R$ 500 milhões foram pagos a políticos a título de compensação por ações irregulares praticadas por eles com o intuito de favorecer a JBS, que é a maior empresa de proteína animal de todo o mundo e possui cerca de 234 unidades.

O empresário estima que a empresa efetuou doações oficiais no valor aproximado de R$ 400 milhões em troca de contrapartidas e mais R$ 100 milhões por meio de moeda em espécie e notas fiscais falsas. Aos procuradores, ele confirmou atos de corrupção que foram cometidos pela empresa, senadores, deputados, ex-presidentes da República. Joesley afirmou que a maioria das doações oficiais feitas pela JBS era propina disfarçada por contrapartidas recebidas.

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"Tem pagamento via oficial, caixa 1, via campanha, tem via caixa 2, tem dinheiro espécie. Essa era a forma de pagar. Acontece o seguinte: combina-se o ilícito, o fato lá de corrupção com o político, com o dirigente do Poder Público, e daí para frente se procede o pagamento", acrescentou.

"Os pagamentos são feitos das mais diversas maneiras, nota fiscal fria, seja dinheiro, caixa 2, até mesmo doação política oficial", disse o empresário. O sigilo das delações foi retirado na manhã desta sexta-feira (19) pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal ( STF ), relator das investigações envolvendo as delações da JBS.

Legalidade

Fachin considerou que as gravações feitas pelo empresário e enviadas à PGR são legais . A decisão do magistrado consta na decisão publicada na última quinta-feira (18), na qual ele autorizou a abertura de investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Ambos os parlamentares estão afastados de seus mandatos.

Os três foram gravados em conversas com Joesley Batista e citados nos depoimentos de delação premiada da empresa JBS. Ao aceitar o pedido de abertura de investigação, Fachin disse que a jurisprudência do STF valida gravações feitas por um investigado para captar conversas com terceiros. Na decisão, o ministro não fez juízo sobre as acusações.


* Com informações da Agência Brasil

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