Calendário de tramitação do projeto foi adiado, sem previsão para retomada das discussões; "objetivo do golpe foi por água abaixo", disse senadora

Câmara  aprovou no último dia 26 de abril o texto-base da reforma trabalhista que foi encaminhado para o Senado
Luis Macedo/Câmara dos Deputados - 26.4.2017
Câmara aprovou no último dia 26 de abril o texto-base da reforma trabalhista que foi encaminhado para o Senado

Com a crise institucional do governo, a tramitação da reforma trabalhista no Senado foi suspensa e considerada “secundária” pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que é o relator da proposta nas Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Assuntos Sociais (CAS). Em nota oficial, ele afirmou que é preciso priorizar a solução da crise “devastadora” que o País enfrenta para depois seguir com os debates.

O calendário de tramitação do projeto foi adiado no Senado , sem previsão para a retomada das discussões. Ferraço já havia anunciado a entrega do relatório na CAE para a próxima terça-feira (23), e a apresentação na CAS para o dia seguinte. A votação em Plenário estava prevista, inicialmente, para ocorrer entre os dias 12 e 15 de junho.

Oposição

Para os senadores de oposição ao governo, as propostas de reforma trabalhista e da Previdência estão "superadas" e devem ser barradas no Senado. "Essas matérias acabaram, até os parlamentares do PSDB já têm consciência que elas se encerraram. Ou seja, o objetivo do golpe foi por água abaixo", afirmou Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

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Paulo Paim (PT-RS) também entende que os projetos de reforma não se sustentam no atual cenário de crise. "Fiz até um apelo para o relator da reforma da Previdência na Câmara para que tenha o mesmo gesto do senador Ferraço, que suspendeu a tramitação da reforma trabalhista enquanto não resolvemos essa crise política. Nós esperamos que o novo presidente eleito se debruce sobre esse tema e chame a sociedade para o debate", disse.

José Pimentel (PT-CE) foi ainda mais longe na análise sobre o momento vivido pelas instituições. "Eu sou daqueles que quando vejo o presidente de um partido, o PSDB, candidato à presidência da República, sendo afastado do seu mandato com um pedido de prisão feito pela Procuradoria, só isso é suficiente para paralisar o trabalho do Congresso Nacional ", ressaltou.

Sem clima

Para o senador José Medeiros (PSD-MT), “não há clima para reformas” enquanto não vierem à tona todos os fatos relacionados à crise do governo. Mesmo assim, ele aposta na suspensão apenas temporária do debate.

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"Momento difícil, em que o País estava retomando os empregos, que a economia começava a dar sinais de vida e que a gente já ia para o desfecho das reformas. E essa variável, que a gente sabia que existia, realmente deixa o cenário muito complicado. Agora, é a gente manter a confiança e esperar que o Brasil possa sair logo dessa", disse.

* Com informações da Agência Senado

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