PF faz buscas na empresa da ex-mulher de Cabral em nova fase da Lava Jato no Rio

Ex-primeira-dama do Rio Suzana Neves é suspeita de ajudar a ocultar bens e recursos de origem ilícita; casa comprada por Suzana em Minas Gerais teria recebido "contêiner com obras de arte" de Sérgio Cabral; segundo MPF
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebo/Agência Brasil
Ex-governador do Rio, Sérgio Cabral foi preso na Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato no Rio

A Polícia Federal cumpre nesta segunda-feira (8) dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Suzana Neves, ex-mulher de Sérgio Cabral. As diligências em Araras (RJ) e em São João del-Rei (MG) foram autorizadas pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro a pedido da força-tarefa de procuradores da Lava Jato que atuam no Rio .

De acordo com o Ministério Público Federal, as investigações da Operação Calicute (braço da Lava Jato dedicado a apurar o esquema criminoso liderado pelo ex-governador do Rio) apontaram indícios de que Suzana Neves teria ajudado a ocultar bens e recursos de Cabral.

Os investigadores apuraram que a ex-primeira-dama do Rio de Janeiro usou sua empresa (Araras Empreendimentos Consultoria e Serviços Ltda.) para comprar um imóvel em São João del-Rei por R$ 600 mil. A origem dos recursos empenhados nessa aquisição é motivo de uma das suspeitas do MPF.

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Outra suspeita acerca desse imóvel diz respeito ao possível uso dele para guardar bens de valor adquiridos com recursos ilícitos da organização chefiada por Cabral, como obras de arte. Informantes da força-tarefa relataram que nos meses de janeiro e fevereiro de 2017, houve o descarregamento de um “container de quadros” na casa.

As investigações também apontam que Suzana Neves utilizou sua empresa para ocultar a origem ilícita de R$ 1,2 milhão por meio de 31 transferências bancárias no período de 2011 a 2013. As transações tinham como origem contas ligadas ao grupo de empresas da empreiteira FW Engenharia, por intermédio da Survey Mar e Serviços Ltda, e aportavam na conta da empresa de Suzana a título de "serviços de consultoria", porém em valor quase duas vezes maior que a sua renda bruta declarada.

Quase 50% dos valores recebidos pela Survey da FW no período analisado pela investigação foram repassados logo em seguida para a empresa de Suzana Neves.

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Esquema de Cabral

Segundo o MPF, a movimentação aponta para lavagem de dinheiro pago como propina à organização criminosa em contratos que o Governo do Estado do Rio de Janeiro firmou com a FW Engenharia.

Em diligências de busca e apreensão autorizadas durante a Operação Calicute, foram apreendidas diversas anotações que indicam o pagamento de propina pela empreiteira FW Engenharia em benefício da organização criminosa chefiada por Sérgio Cabral.

Um dos contratos firmados com a empresa, no valor de R$ 35 milhões, teve por objeto a elaboração de projeto executivo e a execução de obras complementares de urbanização no Complexo de Manguinhos, comunidade beneficiada pelo PAC Favelas. A contratação foi financiada com recursos da União provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento.

As oito denúncias já apresentadas pela força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro revelam como Sérgio Cabral instituiu, ao assumir o Governo do Rio de Janeiro, em 2007, um esquema de cartelização de empresas e favorecimento em licitações, mediante pagamento de propina de cerca de 5% em todas as grandes obras públicas de construção civil contratadas junto ao ente público, quase sempre custeadas ou financiadas com recursos federais. As investigações demonstram que a organização desviou mais de US$ 100 milhões dos cofres públicos mediante engenhoso processo de envio de recursos oriundos de propina para o exterior.

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