Mesmo que se prove 'vingança' de Cunha, impeachment não será anulado, diz Temer

Para o presidente da República, mesmo que o então presidente da Câmara tivesse alguma "subjetividade", a votação "avassaladora" dos demais deputados garante o afastamento da presidente cassada, Dilma Rousseff
Foto: José Cruz/Agência Brasil - 16..4.2015
Para Temer, não há possibilidade de anulação do impeachment devido a um “ato de vingança” de Eduardo Cunha

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), minimizou o relato dele próprio de que o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB) tenha determinado a abertura do processo de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff (PT) como um ato de "vingança", após não conseguir os votos do PT no processo que seria aberto contra ele no Conselho de Ética. 

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O relato de Temer, que foi transmitido pela TV Bandeirantes no último sábado, foi assunto de uma entrevista do presidente ao telejornal SBT Brasil, na noite desta segunda-feira (17). Agora, Temer disse acreditar que não há possibilidade de anulação do impeachment por conta de um “ato de vingança” de Eduardo Cunha .

“Pelo regimento interno da Câmara, se o presidente da Câmara interferir no pedido de impedimento, há recurso no plenário. Com a margem muito significativa de votos que teve o impedimento, evidentemente se isso acontecesse, iria para o plenário e o plenário decretaria o início do impedimento. Estou apenas supondo hipóteses”, disse o presidente.

Temer disse que a votação do Congresso foi “avassaladora” a favor do impeachment. “Foi uma coisa avassaladora, em termos de votação. Se havia uma subjetividade dele [Cunha] nessa direção, não foi o que comandou a decisão do plenário da Câmara e do Senado.”

No fim de semana, à TV Bandeirantes, Temer contou que o deputado cassado falou com ele e disse que arquivaria todos os pedidos de impeachment contra Dilma Rousseff porque tinham prometido a ele os três votos do PT no Conselho de Ética.

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No entanto, a posição dos deputados petistas mudou e, com isso, a decisão de Cunha também. “Quando foi três horas da tarde, mais ou menos, ele me ligou dizendo: 'olha, tudo aquilo que eu disse agora não vale, porque agora vou chamar a imprensa e vou dar início ao processo de impedimento'”, disse Temer.

Delação de Cunha

Temer disse ainda não estar preocupado com uma possível delação de Cunha que possa envolvê-lo. “Não sei o que ele pretende fazer, não estou preocupado com o que ele venha a fazer. Espero que ele seja muito feliz. Espero que se justifique em relação a todos os eventuais problemas que tenha tido. Acho que ele foi um deputado muito atuante, muito eficiente no exercício da legislatura. Mas não sei o que ele vai fazer, não tenho que me incomodar com isso”.

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O ex-presidente da Câmara está atualmente preso em Curitiba desde outubro do ano passado. Recentemente, Eduardo Cunha foi condenado a 15 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisa.

* Com informações da Agência Brasil.

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