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Sérgio Côrtes e empresários são acusados de participar de esquema que desviou cerca de R$ 37 milhões por meio de fraudes em licitações na Secretaria de Saúde e no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia

Cerca de 100 agentes da Polícia Federal cumprem mandados na capital fluminense, em Mangaratiba e em Rio Bonito
Marcelo Camargo/ Agência Brasil - 05.09.2016
Cerca de 100 agentes da Polícia Federal cumprem mandados na capital fluminense, em Mangaratiba e em Rio Bonito

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (11) o ex-secretário de Saúde do Rio Sérgio Côrtes, considerado um dos homens de confiança do ex-governador Sérgio Cabral. Além de Côrtes, mais dois empresários foram presos nesta manhã no âmbito da Operação Fatura Exposta, nova fase do desdobramento da Lava Jato no Rio .

A operação realizada pela  Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal tem como alvo esquema que desviou cerca de R$ 37 milhões por meio de fraudes em licitações para o fornecimento de próteses para a Secretaria Estadual de Saúde e para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).

Além da autorização para as prisões, concedida pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, também são cumpridos um total de 20 mandados de busca e apreensão e outros três de condução coercitiva. Segundo a PF, cerca de 100 agentes estão nas ruas da capital fluminense e nos municípios de Mangaratiba e Rio Bonito, também no Rio.

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Investigação

A nova investida da PF e dos procuradores da Lava Jato no Rio representa um desdobramento das Operações Calicute e Eficiência, responsáveis por atacar a organização criminosa liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral. De acordo com as investigações, Cabral instituiu a cobrança de propina no valor percentual de 5% de todos os contratos celebrados com o governo estadual, desviando mais de US$ 100 milhões dos cofres públicos por meio de transações no exterior.

Os crimes na Secretaria de Saúde investigados na Operação Fatura Exposta teriam sido praticados quando Cabral nomeou Sérgio Côrtes para secretário, em 2007. Segundo o MPF, o pagamento das vantagens indevidas nas aquisições por pregões internacionais se dava na proporção de 5% para o ex-governador e 2% para o ex-secretário.

"Como havia fraude no pagamento dos tributos na importação dos equipamentos, além desses percentuais cerca de 40% do total dos contratos era rateado entre Côrtes e o empresário Miguel Iskin, em conta aberta nos EUA", informa a Procuradoria, fazendo menção a um dos empresários que também foram presos nesta terça-feira.

Segundo a Polícia Federal, os presos serão indiciados por corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

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*Com informações da Agência Brasil

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