PGR pede que STJ anule prisão domiciliar da ex-primeira-dama do Rio de Janeiro

Mulher de Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo foi favorecida por causa de lei que prevê a concessão do benefício para mães com filhos menores de 12 anos
Foto: Vladimir Platonow/Agência Brasil - 31.3.2017
Ex-primeira-dama Adriana Ancelmo chegou nesta sexta a seu apartamento no Leblon; PGR pede anulação do benefício

A PGR (Procuradoria-Geral da República) apresentou nesta sexta-feira (31) ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) recurso para que seja revogada a concessão de prisão domiciliar à ex-primeira-dama do Rio de Janeiro Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), que está preso na penitenciária de Bangu 8.

O pedido apresentado pela PGR é para que seja revisada a decisão que concedeu a prisão domiciliar à advogada, proferida pela ministra Maria Thereza de Assis Moura . O benefício em favor de Adriana foi concedido com base em uma lei que prevê a concessão da prisão domiciliar a mães com filhos menores de 12 anos

A liminar prevê que a ex-primeira-dama não poderá deixar seu apartamento, no Leblon, área nobre do Rio de Janeiro , exceto em caso de emergência médica. Todos os meios de comunicação da residência foram retirados, incluindo rede de telefonia, de internet e até mesmo o interfone. Os visitantes deverão deixar os aparelhos celulares na portaria do prédio.

O MPF (Ministério Público Federal)  acusa Adriana Ancelmo e Sérgio Cabral de ter cometido os crimes de corrupção passiva e ativa, além de organização criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações feitas pela Procuradoria apontam que os crimes praticados renderam ao casal cerca de R$ 220 milhões, valor pago por grandes empreiteiras como propina para garantir obras públicas.

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Na casa de Cabral, foram apreendidas joias no valor estimado de R$ 2 milhões. O ex-governador foi preso em novembro do ano passado e permanece no Complexo Prisional de Gericinó, em Bangu, na zona oeste da capital fluminense.

Réus

Em fevereiro, a Justiça Federal aceitou denúncia do MPF contra Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, o empresário Eike Batista e outras seis pessoas. Eles passam a ser réus no processo, que teve origem em investigações decorrentes de desdobramentos da Operação Lava Jato.

A força-tarefa da Lava Jato acusa Eike de ter feito dois pagamentos ilegais de US$ 16,5 milhões  e outro de R$ 1 milhão a Cabral em troca de benefícios nos negócios.

Na última quinta-feira (30), o jornal Valor Econômico informou que Sérgio Cabral está negociando um acordo de delação premiada com a PGR e o MPF. Segundo a publicação, as negociações ainda estão na fase de elaboração de anexos, em que o candidato a delator apresenta os fatos que está disposto a detalhar.


* Com informações da Agência Brasil

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