Peça-chave da Lava Jato, Youssef ganha liberdade após cumprir pena negociada

Doleiro foi condenado a mais de 120 anos de prisão em vários processos, mas, como assinou acordo de delação premiada, ficou apenas três anos preso
Foto: Alex Ferreira/ Câmara dos Deputados - 27.10.15
Operação Lava Jato: Alberto Youssef foi considerado peça-chave na revelação do esquema de corrupção na Petrobras

No dia em que a Operação Lava Jato completa três anos, um dos principais delatores do esquema de corrupção investigado, o doleiro Alberto Youssef, vai ganhar a liberdade. A defesa ainda não informou detalhes sobre o fim da pena de Youssef, mas confirmou que ele vai tirar a tornozeleira eletrônica ainda nesta sexta-feira (17).

O doleiro foi condenado pela  Lava Jato a mais de 120 anos de prisão em vários processos, mas, como assinou acordo de delação premiada, ficou apenas três anos preso. Ele foi detido na primeira fase da operação, em março de 2014. Cumpriu pena em regime fechado até novembro do ano passado , quando saiu da carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, e passou para o regime domiciliar, com tornozeleira eletrônica.

Embora esteja conquistando a liberdade nesta sexta, caso cometa qualquer crime dentro dos próximos dez anos, ele irá responder integralmente por todos os processos que foram abertos contra ele.

Youssef foi considerado peça-chave na revelação do esquema de corrupção na Petrobras. Este não foi o primeiro envolvimento do doleiro em casos de corrupção. Alberto Youssef ficou conhecido a partir do caso Banestado, que investigou o envio ilegal de dinheiro para o exterior por meio do Banco do Estado do Paraná. À época, ele foi preso, assinou o primeiro acordo de colaboração da história brasileira e tinha se comprometido a não praticar novos crimes.

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Entenda a operação

A Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março de 2014, visa desmontar um esquema de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas que movimentou centenas de milhões de reais. As investigações indicam a existência de um grupo brasileiro especializado no mercado ilegal de câmbio. Em seu centro estão funcionários do primeiro escalão da Petrobras, a maior empresa estatal do Brasil.

A PF apontou o pagamento de propina envolvendo políticos e executivos de empresas, especialmente empreiteiras, que assinaram contratos com a companhia de petróleo. Entre os crimes cometidos, aponta a investigação, estão sonegação fiscal, movimentação ilegal de dinheiro, evasão de divisas, desvio de recursos públicos e corrupção de agentes públicos. 

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Segundo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa na Lava Jato, o dinheiro era cobrado de fornecedores da estatal e redirecionado a três partidos: PT, PMDB e PP. As legendas teriam utilizado os valores na campanha eleitoral de 2010. Os partidos negam que isso tenha ocorrido. 

* Com informações da Agência Brasil

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