Interditado após agressão a juíza em 2015, Batalhão Especial Prisional na capital fluminense hoje conta até com colchões usados por atletas olímpicos

Formado em jornalismo, ex-governador Sérgio Cabral e outros presos da Lava Jato com curso superior serão transferidos
Fabio Rodrigues Pozzebo/Agência Brasil
Formado em jornalismo, ex-governador Sérgio Cabral e outros presos da Lava Jato com curso superior serão transferidos

Presos do Rio de Janeiro ligados à Operação Lava Jato , como o ex-governador Sérgio Cabral, vão ser transferidos para o as da Polícia Militar (PM), no bairro de Benfica.

Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio, a transferência de presos da Lava Jato com curso superior deve ocorrer até o fim desse mês. Cabral está detido no presídio de Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó. Já o empresário Eike Batista vai continuar preso em Bangu, uma vez que não tem nível superior.

O antigo Batalhão Especial da PM estava desativado desde 2015 e hoje passa por uma reforma para receber a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, com capacidade para abrigar 120 detentos – todos de nível superior.

A unidade foi interditada após uma juíza ter sido agredida durante uma inspeção e em razão de informações de que os detentos do local recebiam privilégios.

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Colchões olímpicos

Reportagem do Fantástico (TV Globo) exibida no início do mês passado mostrou que cada cela que receberá os presos transferidos de Bangu mede 16 metros quadrados e tem capacidade para abrigar oito presos em quatro beliches. Os cárceres possuem vaso sanitário e chuveiros separados.

As condições são melhores que as enfrentadas por outros presos da Lava Jato. Em Gericinó, por exemplo, as celas possuem a mesma dimensão (16 m²), mas apenas dois beliches. Já no Complexo Médico Penal em Pinhais (PR), onde está o ex-deputado Eduardo Cunha, por exemplo, a cela é menor (capacidade para três presos) e os banhos são coletivos.

A principal diferença, no entanto, está na hora de dormir. As beliches do Batalhão Especial Prisional não contarão com os colchões padrão do sistema penitenciário federal, mas sim os que foram utilizados pelos atletas nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Representantes do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) chegaram a se reunir com o procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, para pedir explicações a respeito da transferência.

O novo presídio terá 216 vagas no total e vai abrir 154 vagas no Complexo de Gericinó. A nova unidade em que ficará Cabral será anexa à cadeia pública, que é a porta do sistema prisional para presos comuns e federais. Além de presos federais ligados à Lava Jato, também serão transferidas pessoas detidas pelo não pagamento de pensão alimentícia.

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*Com informações e reportagem da Agência Brasil

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