Padilha pede licença para fazer cirurgia após acusação de ex-assessor de Temer

Ministro da Casa Civil vai operar a próstata nos próximos dias; Padilha é acusado de pedir a José Yunes receber "pacote" que posteriormente seria retirado por Lúcio Funaro, operador de propinas no esquema na Petrobras
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil - 7.12.15
Segundo jornal, Procuradoria-Geral da República avalia como 'inevitável' investigação contra Eliseu Padilha

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, pediu licença de suas atividades no governo para realizar uma cirurgia de próstata. A assessoria do ministro, de 70 anos de idade, informou que o procedimento médico será realizado entre o fim de semana e a segunda-feira (27). O retorno de Padilha à Esplanada dos Ministérios está previsto para o dia 6 de março.

Eliseu Padilha apresentou o pedido de licença ao presidente Michel Temer na última quarta-feira (22), após o ministro passar uma noite no hospital devido a um quadro de obstrução urinária provocada por uma hipertrofia prostática.

A saída de Padilha do governo se dá no momento em que José Yunes, ex-assessor de Temer na Presidência , trouxe complicações para o ministro-chefe da Casa Civil.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo , Yunes afirmou que aceitou receber em seu escritório um pacote com documentos – cujo teor ele disse desconhecer – a pedido de Padilha em 2014, em meio à campanha da chapa Dilma-Temer para a Presidência da República.

O empresário relatou que os documentos foram retirados de seu escritório por Lúcio Funaro, apontado como operador de Eduardo Cunha (PMDB) no esquema de corrupção na Petrobras.

Nova reportagem publicada pela Folha nesta sexta-feira (24) dá conta de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia como "inevitável" pedir a abertura de um inquérito para investigar a atuação de Padilha no episódio narrado por Yunes.

A assessoria de imprensa do ministro informou que ele não irá se pronunciar a respeito das declarações do ex-assessor de Temer.

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José Yunes

Amigo pessoal de Michel Temer, José Yunes esteve com o presidente no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (23). Ele deixou a função de assessor especial da Presidência da República no fim do ano passado, após ter sido citado na delação prestada pelo ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho, que o acusou de ter recebido propina da empreiteira – também a pedido de Eliseu Padilha.

Em seu depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht afirma que parte de um pagamento de R$ 4 milhões feito por Marcelo Odebrecht foi remetido ao escritório de Yunes em São Paulo.

"Estive com Michel Temer em um jantar no Jaburu, oportunidade em que ele solicitou a
Marcelo Odebrecht pagamento ao PMDB. Esses pagamentos, no valor de R$ 4 milhões, foram realizados via Eliseu Padilha, preposto de Temer, sendo que um dos endereços de entrega foi o escritório de advocacia do senhor José Yunes", disse Melo Filho aos investigadores.

Em nota divulgada em dezembro, o Palácio do Planalto repudiou as acusações de Melo e negou que o presidente Temer tenha pedido a entrega de dinheiro.

Em outro trecho do depoimento do ex-diretor da empreiteira, Melo afirma que, ao fazer o levantamento de documentos para endossar seu acordo de delação premiada, ele "apurou" que o escritório José Yunes e Associados recebeu um dos pagamentos realizados por José Filho, também ex-funcionário da Odebrecht. 

"Um dos pagamentos ocorreu entre 10 de agosto e o final de setembro de 2014 na Rua Capitão Francisco, Jardim Europa, sede do escritório de Advocacia José Yunes e Associados", disse Cláudio Melo Filho.

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