Em entrevista dada em 27 de janeiro, o Delegado Federal Igor Romário de Paula afirmou que “timing para prender Lula pode surgir em 30 ou 60 dias”

Advogados de defesa de Lula afirmam que comportamento abusivo de delegado vai contra a ética da Polícia Federal
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 29.8.2016
Advogados de defesa de Lula afirmam que comportamento abusivo de delegado vai contra a ética da Polícia Federal

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou com um pedido para que procurador-geral da República apure abuso de poder cometido pelo Delegado Federal Igor Romário de Paula, segundo divulgou a equipe de advogados do petista nesta segunda-feira (13). Em entrevista concedida em 27 de janeiro, o delegado disse que o “timing para prender Lula pode surgir em 30 ou 60 dias”.

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Em nota, os advogados afirmam que Lula teve seus direitos constitucionais feridos pelo delegado, o que é inaceitável. Além disso, alegam que esse tipo de comportamento vai contra a ética e as responsabilidades institucionais da Polícia Federal.

Outro ponto abordado foi a "falta de consideração e o desrespeito do delegado" quanto ao estado de saúde da ex-primeira-dama Marisa Letícia. Ela havia sido internada há poucos dias na ocasião da entrevista, e estava em coma como consequência de seu AVC. De acordo com a defesa, esse foi só mais um dos abusos que o ex-presidente e sua família sofreram ao longo da Operação Lava Jato.

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Por último, a defesa relembrou que, em 2014, o delegado em questão fez campanha para o então candidato à presidência, Aécio Neves (PSDB-MG), fato que por si só explicita seu posicionamento partidário contrário ao petista.

Operação Lava Jato 

Desde a última quinta-feira (9) o juiz Sérgio Moro está ouvindo testemunhas da defesa do ex-presidente em processo da operação que investiga o triplex no Guarujá. Na segunda-feira (13), foram ouvidos o secretário do Desenvolvimento Econômico da Bahia, Jaques Wagner (PT-BA), e o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Além de Lula, outras seis pessoas são investigadas dentro dessa ação, entre elas Dona Marisa Letícia, que faleceu em 3 de fevereiro por causa do AVC que sofreu.

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Fernando Henrique Cardoso deu seu depoimento na quinta-feira (9) em outro processo, que investigava a arrecadação de fundos para a administração e transporte do acervo presidencial de Lula ao final de seu mandato, em 2010. O peesedebista declarou que não houve arrecadação ilegal e que é normal recorrer a grandes empresas em busca de colaboradores.

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