"Onde vamos achar R$ 500 milhões?", diz governo do ES, que nega reajuste a PMs

Governador afastado denuncia "chantagem" nos pedidos das famílias dos PMs e apela para "bom senso"; com Exército nas ruas, número de ocorrências no estado teriam caído, mas nenhum dado oficial chegou a ser revelado
Foto: Reprodução/Twitter
O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PSDB), dá entrevista coletiva, apesar do seu estado de saúde

A população capixaba vive nesta quarta-feira (8) o quinto dia seguido sem policiamento nas ruas do Espírito Santo, o que tem causado uma onda de violência sem precendentes em todo o estado. Para amenizar a crise, mil agentes das Forças Armadas e outros 200 da Força Nacional foram enviados pelo governo federal. Com o Exército nas ruas, o número de ocorrências "despencou".

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A informação é do secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, André Garcia, que concedeu uma entrevista coletiva nesta quarta, ao lado do governador em exercício do Espírito Santo , César Colnago (PSDB) e do governador afastado Paulo Hartung (PSDB). Hartung está tratando de um tumor na bexiga. Nenhum número foi revelado, porém, para comprovar tal eficiência do Exército.

"Agora, secretário tem que resolver o problema e não fazer balanço", disse André ao ser questionado sobre o número de ocorrências registrados pela Secretaria de Segurança Pública nos últimos dias.

De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo, desde o início dos protestos que impedem o policiamento das ruas, 87 mortes já foram registradas em todo o estado.

Segundo o secretário, todos os municípios da região metropolitana de Vitória estão sendo atendidos pela Força Nacional. Agora, o policiamento será reforçado em cidades do interior do estado, como Guarapari.

"Onde nós vamos arranjar meio bilhão de reais?"

Com dores por ficar sentado, o governador Paulo Hartung pediu aos jornalistas que se afastassem da bancada para que ele pudesse responder às perguntas de pé.

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Na entrevista, ele afirmou que está se recuperando do tratamento realizado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e que, hoje, junta a energia que tem para apelar aos policiais que voltem ao trabalho.

"O caminho [da paralisação] é um caminho errado, gente. O caminho é um caminho que rasga a Constituição desse País, é uma chantagem", denunciou.

Hartung alarmou ainda que, se o assunto não for resolvido rapidamente no Espírito Santo, a crise pode se estender a outros estados. O governador aproveitou para ressaltar que quem tem sofrido com a paralisação é a população. "Esse é o patrão", exclamou, falando que o governo "é passageiro".

"Eu quero olhar no branco do olhos desses policiais e pedir a eles que respeitem a sua instituição, o nosso estado do Espírito Santo e o cidadão capixaba", afirmou. "É como se tivessem sequestrado o direito do cidadão capixaba e estivessem pedindo resgate", disse.

Ao ser indagado sobre uma possível demora do governo em atuar contra os danos causados pela paralisação, o governador afastado se exaltou.

"Tudo bota na conta do governo! O que querem do governo? Querem chantagear o governo? Querem chantagear é a população, que é quem vai pagar essa conta. [...] Onde nós vamos arranjar R$ 500 milhões para aumentar a folha da polícia militar? Meio bilhão de reais? Alguém é a favor da gente aumentar a carga tributária?", exclamou.

O governador em exercício do Espírito Santo, César Colnago, afirmou, durante a coletiva, que tem gente apostando no "quanto pior, melhor", com interesses eleitorais. 

"A gente não pode colocar a população em risco. Tem gente apostando no 'quanto pior, melhor'", afirmou. Ressaltando os bons resultados do Espírito Santo nos índices nacionais de segurança e educação, ele afirmou que "tem gente querendo destruir a nossa imagem, pensando em eleições". 

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Colnago aproveitou para reforçar que os salários dos servidores públicos do estado capixaba são pagos sempre em dia, "diferente de outros estados" – numa alusão ao Rio de Janeiro, que está com salários atrasados e sendo pagos em parcelas. "Tem estados com os salários atrasados, salários parcelados e nós estamos pagando em dia. Nós não somos governo populista, que fica prometendo e não consegue cumprir", disse.

"O que nós queremos é que a Força Nacional, que já está aqui e que já diminuiu muito o número de ocorrências de ontem para hoje... Nós vamos reforçar e pedir o bom senso dos policiais militares para que eles voltem a seus postos de trabalho e que obedeçam seu comandante", anunciou o governador em exercício do Espírito Santo.

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