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Condenado no mensalão, ex-diretor do Banco do Brasil foi extraditado pela Itália após autoridades do país verificarem condições em prisões brasileiras

Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi preso no início de 2014 na Itália
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil
Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi preso no início de 2014 na Itália

A esposa de Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil condenado no mensalão , enviou uma carta questionando o ministro da Justiça da Itália, Andrea Orlando, sobre as garantias de segurança de Pizzolato em uma prisão brasileira.

"Ele [ministro] decidiu extraditar Henrique Pizzolato , cidadão italiano, para pagar sua pena de detenção no Brasil e, sendo a sua última e definitiva decisão, é sua responsabilidade sobre o que sucede com o meu marido. Então, lhe peço: quais são as garantias que a Itália oferece para que meu marido não seja a próxima vítima?", escreveu Andrea Haas, referindo-se às recentes rebeliões ocorridas no Brasil  que deixaram quase 100 mortos.

O ex-diretor do BB fugiu para o país europeu em setembro de 2013 durante o escândalo do mensalão antes que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinasse sua condenação.
Durante o tempo em que estava foragido, ele foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Em fevereiro de 2014, o ítalo-brasileiro foi preso pelas autoridades italianas por uso de passaporte falso na Itália e, após uma longa batalha judicial, foi determinada sua extradição para o Brasil, fato que ocorreu em outubro de 2015. Desde então, o ex-diretor de marketing cumpre pena no presídio da Papuda, em Brasília.

Na carta, Haas destaca que "todos os políticos envolvidos" no mensalão "estão livres, receberam indultos", mas que "as pessoas que nunca ocuparam uma posição política, como o meu marido, que à época dos fatos era um funcionário de banco" continuam presas.

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Progressão

Ela ainda lembrou que há um pedido da defesa do ex-diretor do Banco do Brasil no STF para que ele possa progredir do regime fechado para o semi-aberto, já que teria cumprido um sexto da pena – considerando o período que passou detido no presídio de Modena, na Itália.

"Já tendo adquirido o direito estabelecido pela lei para passar para o regime semi-aberto, do dia 13 de janeiro de 2016, ainda, considerando os pedidos apresentados, está descontando a pena no regime mais rigoroso sem nenhuma justificativa legal", acrescenta Haas.

Para justificar seu apelo, Haas afirma que na Papuda "há um agente penitenciário para cada 120 detidos". Ela ainda acrescenta que, depois das rebeliões com mortes, "não posso deixar de temer pela vida do meu marido Henrique, perante o comportamento dos juízes brasileiros que aplicam uma outra pena, além daquela imposta no julgamento, decidindo contra a lei mantê-lo em um regime mais rigoroso, e perante a atitude do presidente do Brasil tratar a morte dos detidos como 'acidente'".

Segundo a mulher de Pizzolato, o governo brasileiro não está cumprindo com os compromissos assumidos com os italianos e o ministro Orlando "não está atendendo as nossas solicitações".

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*Com informações e reportagem da Ansa

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