Presidente impediu criação de um regime especial para estados em situação financeira crítica; equipe econômica buscará plano B para aliviar estados

Presidente Michel Temer vetou capítulo inteiro do projeto de lei sobre a renegociação das dívidas dos estados com a União
Beto Barata/PR
Presidente Michel Temer vetou capítulo inteiro do projeto de lei sobre a renegociação das dívidas dos estados com a União

O presidente Michel Temer sancionou, com vetos, a lei que define as novas regras para os estados renegociarem suas dívidas com a União. O texto foi publicado na edição desta quinta-feira (29) do Diário Oficial da União .

Após discutir com integrantes de sua equipe econômica e parlamentares a possibilidade de vetar integralmente o projeto de lei , Temer optou por vetar apenas um capítulo do texto aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada.

O trecho barrado pelo presidente tratava do  Regime de Recuperação Fiscal, dispositivo que concedia um socorro aos estados em situação financeira crítica, como atualmente estão Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Esse mecanismo previa a possibilidade de os estados em situação grave suspenderem o pagamento das dívidas com a União por até 36 meses mediante a apresentação de um plano de ajuste fiscal que deveria ser aprovado pelo Ministério da Fazenda.

Em nota, o Ministério da Fazenda informou que, tendo em vista o veto presidencial ao projeto, buscará "encontrar uma solução que dê instrumentos aos necessários ajustes fiscais dos estados".

Outros pontos do projeto, como a concessão de prazo de até 20 anos para a renegociação das dívidas e os descontos no pagamento das parcelas até junho de 2018, foram mantidos.

Atritos

A aprovação do texto sobre a renegociação das dívidas dos estados e do Distrito Federal envolveu desentendimentos poucas vezes vistos entre a equipe de Temer e a Câmara  dos Deputados.

O presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), negociou os termos do projeto com governadores e depois conseguiu apoio entre os parlamentares para aprovar o texto sem que as contrapartidas pedidas pelo Planalto estivessem incluídas.

Contrariado, Temer, até tentou minimizar as alterações realizadas , mas sempre ressaltou que o governo federal teria a palavra final a respeito do socorro financeiro aos estados. 

"Aprovamos o projeto que faz a repactuação das dívidas dos estados com a União. E lá estabeleceu-se uma coisa que nós também criamos, que é a recuperação fiscal. Isso significa que os estados poderão pleiteá-la e a Unão defere ou indefere. E só acolherá se forem cumpridas determinadas condições, porque quando o estado está em grandes dificuldades, é preciso que faça suas limitações", disse Temer durante evento em São Paulo.

Devido à crise econômica, a discussão sobre as dívidas com a União motivaram uma série de ações no Supremo Tribunal Federal (STF) e três estados (Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais) declararam estado de calamidade financeira nos últimos meses.

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