Expectativa do esquema com a empreiteira era de que o petista continuasse a ter relevância politica após 2010, o que, de fato, aconteceu; veja como

Lula de fato continua tendo uma influência política forte, apesar de todas as denúncias contra ele
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula 25.08.2016
Lula de fato continua tendo uma influência política forte, apesar de todas as denúncias contra ele

O ex-presidente e herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, contou aos procuradores da Operação Lava Jato em delação que uma espécie de conta que a empresa mantinha em nome do ex-presidente Lula (PT) tinha o objetivo de manter o petista influente depois que saísse da Presidência da República.

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As informações foram publicadas nesta sexta-feira (23) pelo jornal Folha de S.Paulo . Lula deixou a Presidência da República em 2010, com grande aprovação popular. A expectativa do esquema com a Odebrecht, segundo a delação, era de que o petista continuasse a ter relevância no cenário político, o que de fato ocorreu.

Prova disso é que, mesmo depois de todas as denúncias contra o petista, Lula continua sendo o candidato que se destaca nas pesquisas de intenções de voto para as eleições presidenciais de 2018.

De acordo com Marcelo Odebrecht e outros funcionários da empreiteira, foi criada uma "conta" financiada pela área da empresa denominada Setor de Operações Estruturadas, a responsável pelo pagamento de propinas e de caixa dois.

A conta era gerenciada pelo ex-ministro Antonio Palocci, preso desde setembro. Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci que também chegou a ficar preso em Curitiba, é apontado como um dos encarregados de transportar o dinheiro em espécie que abastecia a "conta".

A "conta", que foi batizada de "amigo" – termo usado pelos funcionários da empresa para se referirem a Lula devido à relação dele com Emílio Odebrecht, dono do grupo e pai de Marcelo –, foi usada para financiar, segundo o jornal, projetos como a compra de um terreno em São Paulo, que seria usado para abrigar a sede do Instituto Lula .

Outro meio de consolidar a influência do petista, segundo os delatores, foi o financiamento de campanhas de líderes de esquerda latino-americanos em países onde a empreiteira tem atuação.

A tal "conta" teria sido usada para pagar R$ 5,3 milhões ao marqueteiro João Santana, que comandou a comunicação da campanha que elegeu Maurício Funes, presidente de El Salvador em março de 2009. O valor teria sido descontado do caixa dedicado a Lula, com a sua autorização.

Instituto Lula nega acusações

Em resposta às acusações, o Instituto Lula disse que o ex-presidente jamais solicitou qualquer vantagem indevida e que mais de 20 testemunhas em depoimentos em Curitiba, incluindo os principais delatores da Lava Jato, não apontaram envolvimento do petista em contratos ou desvios da Petrobras.

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"Repudiamos atribuições de intenções ou interpretações referentes ao ex-presidente Lula feitas de forma leviana pelo vazamento ilegal de versões de suspostas delações que são sigilosas", afirma em nota.

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