Lava Jato: força-tarefa conclui tomada de depoimentos de delatores da Odebrecht

Ministro Teori Zavascki, do STF, deverá mobilizar equipe para examinar os materiais durante o recesso do Judiciário; Planalto teme novas crises
Foto: Reprodução
Força-tarefa da Operação Lava Jato colheu cerca de 800 depoimentos de executivos e ex-executivos da Odebrecht

Procuradores que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato concluíram neste fim de semana a tomada de depoimentos de 77 executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht que firmaram acordos de delação premiada. Os materiais serão remetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF) para análise do ministro Teori Zavascki, que é o relator do caso na Corte.

LEIA MAIS:  Delação da Odebrecht cita Temer e mais de 20 outros políticos; presidente nega

De acordo com informações do “Jornal Nacional”, da “TV Globo”, foram colhidos mais de 800 depoimentos dos delatores. Todos os interrogatórios foram filmados. Os materiais resultantes das investigações serão armazenados a partir de segunda-feira (19) em uma sala isolada no STF, onde, além de Teori, só terão acesso assessores e juízes que integram a equipe da Lava Jato .

Na terça-feira (20), o Judiciário entra em recesso. Portanto, é praticamente impossível que os depoimentos sejam examinados antes da paralisação. Entretanto, o ministro deverá mobilizar um grupo de juízes e assessores para avaliar o material durante o mês de janeiro, para que possa, no início de fevereiro, decidir se os acordos de delação premiada serão ou não homologados.

LEIA MAIS:  Por danos morais, Lula processa coordenador da Lava Jato em R$ 1 milhão

Antes de analisar o conteúdo dos depoimentos, a Justiça precisa verificar se todas as exigências legais foram cumpridas. Ou seja, se o tempo de defesa foi respeitado, se a redução de pena prometida está em conformidade com a lei e se não houve coação dos depoentes.

Expectativa

A revelação do teor dos depoimentos dos delatores é temida pelo Palácio do Planalto. Em um dos interrogatórios, o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, teria dito que entregou, durante a campanha eleitoral de 2014, entregue R$ 10 milhões ao advogado José Yunes, amigo do presidente Michel Temer . O valor, não contabilizado, teria sido prometido pela empreiteira ao PMDB.

Yunes, que ocupava o cargo de assessor especial da Presidência da República, pediu demissão na última quarta-feira. Em sua carta de demissão, que já foi aceita pelo presidente Michel Temer, o advogado diz que jamais "travou o mínimo relacionamento" com Melo Filho e classifica as acusações contra ele como "irresponsáveis" e "fantasiosas".

LEIA MAIS:  Caju, Justiça e Caranguejo: veja os apelidos de políticos na lista da Odebrecht

Segundo informações de bastidores, as delações da Odebrecht no âmbito da Lava Jato devem atingir cerca de 200 políticos de diversos partidos. Ainda de acordo com o depoimento de Melo Filho, a empreiteira organizava o pagamento de propinas por meio de planilhas, nas quais os beneficiários eram identificados por meio de codinomes, como “Misericórdia”, “Todo Feio” e “Moleza”.

Link deste artigo: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-12-18/lava-jato.html