Contra a vontade do ex-deputado, juiz da Lava Jato aceitou pedido da Polícia Federal, que quer liberar vagas na carceragem de Curitiba; Cunha será levado ao Complexo Médico Penal em Pinhais em data ainda a ser definida

Preso em Brasília no dia 19 de outubro, Eduardo Cunha foi levado à carceragem da Polícia Federal em Curitiba
Agência Brasil - 19.10.2016
Preso em Brasília no dia 19 de outubro, Eduardo Cunha foi levado à carceragem da Polícia Federal em Curitiba

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, autorizou a transferência do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) para o Complexo Médico Penal em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

O pedido de transferência foi feito pela Polícia Federal, que pretende liberar vagas na carceragem da Superintendência da corporação em Curitiba, onde Eduardo Cunha está preso desde o dia 19 de outubro.

A decisão contraria a vontade da defesa do peemedebista, que desejava a permanência dele na capital paranaense ao menos até o depoimento do ex-deputado a Sérgio Moro, agendado para ocorrer no dia 7 de fevereiro do ano que vem.

A transferência será realizada pela própria Polícia Federal e ainda não foi informado em que data isso irá ocorrer.

Além do pedido de remoção do peemedebista, a PF também pediu a transferência do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro e do ex-tesoureiro do PP João Claudio Genu. Esses dois últimos tiveram a permanência em Curitiba garantida por Moro, uma vez que eles negociam acordo de colaboração com a Lava Jato.

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Ação penal

O ex-presidente da Câmara dos Deputados responsável pela abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff é réu em ação penal da Lava Jato que apura suposto recebimento de propina do peemedebista no valor de US$ 5 milhões na compra de um campo de petróleo pela Petrobras em Benin, na África, em 2011. A propina teria sido depositada em contas não declaradas do ex-parlamentar na Suíça.

A ação penal foi aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas, conforme Cunha teve seu mandato na Câmara cassado, o processo foi repassado ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba.

Ele foi preso em Brasília no dia 19 de outubro após o pedido do Ministério Público Federal ser aceito por Moro no dia anterior. O magistrado considerou que a liberdade de Cunha poderia comprometer as investigações e significava "risco à ordem social", e que havia o risco de fuga do peemedebista para o exterior.

Atualmente, o processo contra Eduardo Cunha está na fase de tomada de depoimentos. Como testemunhas de defesa do ex-deputado, já foram ouvidos o ex-presidente Lula, o ex-ministro Guido Mantega, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e o presidente Michel Temer, entre outros. Todos negaram conhecer envolvimento de Cunha no esquema criminoso relacionado à Petrobras.

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