Temer diz ao juiz Moro que desconhece atuação de Cunha em esquema da Petrobras

Na condição de testemunha de defesa, presidente negou conhecer fatos que liguem o ex-deputado à compra de um campo de petróleo na África, em 2011, ou na nomeação de Jorge Zelada para o cargo de diretor da Petrobras
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil - 18.11.15
Michel Temer respondeu a 20 das 41 perguntas formuladas por Eduardo Cunha em processo da Lava Jato

O presidente Michel Temer encaminhou ao juiz Sérgio Moro as respostas às perguntas feitas pela defesa de Eduardo Cunha (PMDB) no processo que corre o ex-presidente da Câmara dos Deputados na Lava Jato.

Temer respondeu a 20 das 41 perguntas formuladas por Eduardo Cunha , já que as demais foram rejeitadas por Moro . O magistrado considerou que elas continham “teor inapropriado”, uma vez que não teriam relação com a ação penal a que Cunha responde na Justiça Federal em Curitiba.

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No ofício, com data de 8 de dezembro, Temer nega ter conhecimento da participação de Cunha em qualquer assunto relacionado à Petrobras, inclusive relativos à compra do campo de petróleo em Benin, na África, ou à nomeação de Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da estatal.

O presidente negou também ter participado de uma reunião citada por Cunha, ocorrida após uma interrupção da votação da CPMF na Câmara para tratar de nomeações na Petrobras. Temer, no entanto, confirmou que sabia que algumas das nomeações ocorreriam. A autenticidade do documento com as respostas de Temer foi confirmada à reprotagem da Agência Brasil nesta terça-feira (13) pelo Palácio do Planalto.

"Desconforto"

Em 2007, Dilma Rousseff era presidente do Conselho de Administração da Petrobras e chefe da Casa Civil do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma das perguntas feitas pela defesa de Cunha, foi dito que Dilma teria descumprido o compromisso com o PMDB e nomeado Graças Foster para a Diretoria de Gás e Energia e Eduardo Dutra para a BR Distribuidora. As escolhas de Graça e Dutra teriam causado "desconforto" no PMDB, sugerindo que o fato seria o motivo da paralisação da votação da CPMF à época. Na sua resposta, Temer disse não reconhecer tal informação.

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Temer confirmou ter sido procurado pelo pecuarista José Carlos Bumlai na época em que ocupava a presidência do PMDB. O empresário teria pedido a manutenção de Nestor Cerveró na Diretoria Internacional da Petrobras. Temer acrescenta, logo em seguida, que também foi procurado pelo próprio Cerveró, acompanhado de Bumlai, para tratar do mesmo assunto. O encontro foi no escritório de Michel Temer em São Paulo.

As demais perguntas tratam de outros fatos acerca do relacionamento do PMDB com o governo federal e de indicações políticas para cargos em empresas estatais. Nas respostas encaminhadas a Moro, Temer negou conhecer ou ter algum tipo de envolvimento com as negociações.

Testemunhas de defesa

O ex-deputado Eduardo Cunha está preso desde o dia 19 de outubro na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. A prisão foi decretada na ação penal em que o deputado cassado é acusado de receber R$ 5 milhões, que foram depositados em contas não declaradas na Suíça. O valor seria oriundo de vantagens indevidas, obtidas com a compra de um campo de petróleo pela Petrobras em Benin, na África. O ex-deputado federal incluiu em seu ról de testemunhas de defesa  o presidente Michel Temer e o ex-presidente Lula.

*Com informações da Agência Brasil

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