De acordo com o presidente do Senado, o Ministério Público tem sua função de "ser fiscal da lei" prejudicada, estendendo críticas ao procurador-geral

Em entrevista nesta terça-feira (13), Renan Calheiros critica Ministério Público e Rodrigo Janot
Jonas Pereira/Agência Senado - 6.12.16
Em entrevista nesta terça-feira (13), Renan Calheiros critica Ministério Público e Rodrigo Janot

Um dia depois de receber sua primeira denúncia da Operação Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez críticas ao Ministério Público nesta terça-feira (13). “O Ministério Público infelizmente passou a fazer política, só política, e quando você faz política você perde a condição, definitivamente, de ser fiscal da lei”, disse o senador em entrevista.

MAIS EM:  Renan Calheiros é denunciado por corrupção e lavagem na Operação Lava Jato

Renan Calheiros também questionou a decisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao colocar na força-tarefa da Lava Jato três membros do Ministério Público que foram rejeitados pelo Senado em sabatina para o Conselho Nacional do Ministério Público e para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). De acordo com ele, isso já demonstra o que Janot pretende fazer com o Senado.

“De modo que as conduções coercitivas, as buscas e apreensões, o pedido de prisão, a prisão da polícia, a usurpação de competência, tudo é decorrente do fato do procurador-geral da República ter colocado como membros da força-tarefa três pessoas rejeitadas pelos senadores”, disse o peemedebista. Entretanto, os três membros mencionados por ele não fazem parte da força-tarefa oficial da Lava Jato.

MAIS EM:  Renan Calheiros será afastado da presidência do Senado após liminar

Sobre o vazamento de delações premiadas na operação, o presidente do Senado disse que “são vazadas seletivamente para permitir um pré-julgamento” e que “o importante é que se conheça o teor das delações, sejam homologadas ou não homologadas, para que o país acompanhe com dados, com contra-argumentos. Não é isso que está acontecendo no Brasil”.

A denúncia

Nesta segunda-feira (12), Renan Calheiros teve sua primeira denúncia na Operação Lava Jato protocolada no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) por Rodrigo Janot. O senador é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por ter recebido, de acordo com o Ministério Público Federal, R$800 mil em propina do executivo da empresa Serveng, Paulo Twiaschor.

MAIS EM:  Senadores decidem não cumprir decisão que afastou Renan Calheiros

A denúncia também envolve o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE).  Janot diz que o dinheiro foi repassado para a campanha política de 2010, anos em que Renan Calheiros foi eleito senador, por meio de duas doações legais. Em seguida, a quantia foi supostamente repassada para campanhas de políticos de forma fracionada. Janot pede que Aníbal Gomes e Renan Calheiros devolvam R$1,6 milhões aos cofres públicos.

*Com informações de Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.