Segundo juiz, Adriana Ancelmo estaria usando sua condição de advogada para propiciar o recebimento de valores pela organização criminosa

Adriana Ancelmo teve o mandado de prisão expedido nesta terça-feira pelo juiz Marcelo da Costa Bretas
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Adriana Ancelmo teve o mandado de prisão expedido nesta terça-feira pelo juiz Marcelo da Costa Bretas

O juiz Marcelo da Costa Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, decretou nesta terça-feira (6) a prisão preventiva da advogada Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). A ex-primeira-dama, que já se apresentou ao Judiciário, é acusada de envolvimento nas irregularidades apuradas no âmbito da Operação Calicute, a mesma que culminou na detenção do peemedebista em novembro.

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No último dia 17, quando Cabral foi preso, Adriana foi levada para depor após mandado de condução coercitiva. O juiz cita que, na ocasião, foi rejeitado o pedido de prisão da advogada, “sob o fundamento de que até aquele momento não havia elementos suficientes que justificassem a medida extrema em face dela, sendo suficiente a determinação da condução coercitiva da requerida para prestar esclarecimentos às autoridades investigativas”.

“Ocorre que, segundo o órgão ministerial [o Ministério Público Federal], o aprofundamento das investigações revelou que Adriana Ancelmo, na verdade, ocuparia posição central na organização criminosa capitaneada por seu marido, Sérgio Cabral. Adriana Ancelmo seria uma das principais responsáveis por ocultar recursos recebidos indevidamente por seu marido, valendo-se para tal de seu escritório de advocacia, bem como que teria adquirido ilegalmente verdadeira fortuna em joias de altíssimo valor, dentre outros expedientes”, acrescenta o magistrado. Por esse motivo, o MPF entende que a detenção seria importante para interromper o “ciclo delitivo”.

De acordo com o magistrado, “Adriana Ancelmo estaria usando sua condição de advogada e a estrutura de seu escritório de advocacia para propiciar o recebimento de valores espúrios pela Organização Criminosa descrita pelos investigadores”.

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Por fim, Bretas destaca que “a permanência de Adriana Ancelmo em liberdade representa evidente risco à ordem pública, sendo grande a probabilidade de que a mesma continuará na prática de ilícitos e persevere na ocultação do produto dos crimes perpetrados contra a Administração Pública. Com efeito, a prisão preventiva de Adriana Ancelmo permitirá pôr termo ao ‘ciclo delitivo’ da organização criminosa e da lavagem e ocultação de ativos ora apontados, empreendida de forma disseminada e ostensiva pelos envolvidos, especificamente pela requerida, sendo ineficaz qualquer outra medida cautelar”. O magistrado também determinou operação de busca e apreensão na casa da advogada, no bairro do Leblon, área nobre do Rio de Janeiro .

Indiciamento

Na última sexta-feira (2), Cabral, Adriana e outras 15 pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal por crimes de corrupção ativa e passiva, participação de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Conforme as investigações, o ex-governador do Rio teria chefiado um esquema responsável por desvios de R$ 224 milhões dos cofres do Estado em contratos de grandes obras, entre elas a modernização do Estádio do Maracanã. As fraudes teriam ocorrido entre 2007 e 2014, nos dois mandados do peemedebista.

No dia 28 de novembro, o juiz Marcelo da Costa Bretas já havia bloqueado os bens da esposa de Sérgio Cabral . O pedido foi apresentado pelo MPF com base nos indícios de que a advogada participou de ações criminosas.

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