Polícia Federal faz buscas no Itaú em nova fase da Operação Zelotes

Agentes da PF estiveram nas dependências do Itaú Unibanco e cumprem mandados em três estados; 13 pessoas são levadas a depor coercitivamente
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil - 28.05.2016
Operação Zelotes apura esquema que manipulou julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (1ª) a oitava fase da Operação Zelotes , que investiga um esquema que manipulava julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

São cumpridos nesta nova etapa da Operação Zelotes 34 mandados judiciais, sendo 21 mandados de busca e apreensão e 13 de condução coercitiva, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. De acordo com a PF, cerca de 100 agentes participam da ação.

Ainda segundo a Polícia Federal, a nova fase da operação mira esquema envolvendo um conselheiro do Carf e os bancos Itaú Unibanco e BankBoston, além de escritórios de advocacia e empresas de consultoria. A PF identificou que o conluio conseguiu manipular com sucesso ao menos três processos administrativos fiscais entre 2006 e 2015.

Em nota, o Itaú Unibanco confirmou que a Polícia Federal fez diligência nas dependências da instituição em busca de "documentos relativos a processos tributários do BankBoston".

Segundo o banco, o Itaú não possui responsabilidade sobre os processos envolvendo o BankBoston, que teve sua operação no Brasil adquirida em 2006 pelo Itaú Unibanco. Confira a nota abaixo:

O Itaú Unibanco esclarece que em 2006 o Itaú adquiriu, do Bank of America, as operações do BankBoston no Brasil. O contrato de aquisição não abrangeu a transferência, para o Itaú, dos processos tributários do BankBoston. Esses processos continuaram de inteira responsabilidade do Bank of America. O Bank of America é, assim, o único responsável pela condução desses processos. O Itaú não tem qualquer ingerência em tal condução, inclusive no que se refere a eventual contratação de escritórios ou consultores. 

O Itaú Unibanco permanece totalmente à disposição das autoridades.

Os investigados poderão responder, na medida de suas participações, pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, advocacia administrativa tributária e lavagem de dinheiro.

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Denúncias

No dia 7 de outubro, o Ministério Público Federal no Distrito Federal denunciou um ex-conselheiro do Carf e o sócio dele. O ex-conselheiro do Carf é acusado de corrupção passiva e tentativa de obstrução das investigações, crime também atribuído a seu sócio. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados porque a ação penal ainda é sigilosa.

De acordo com os procuradores, o então integrante do Carf solicitou dinheiro em troca da promessa de interferência em recurso do Itaú Unibanco Holding em andamento no conselho. No processo, a Receita Federal cobra R$ 25 bilhões do banco. A denúncia que levou à investigação foi feita pelo próprio contribuinte.

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Em agosto, a Justiça Federal em Brasília aceitou uma denúncia contra o diretor-presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e mais nove pessoas, tornando-os réus na Operação Zelotes. Os acusados foram denunciados pelo Ministério Público Federal pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.

Em nota divulgada na ocasião, o Bradesco negou as acusações. “O Bradesco reitera sua convicção de que nenhuma ilegalidade foi praticada por seus representantes e, em respeito ao rito processual, apresentará oportunamente seus argumentos ao Poder Judiciário.”

A Zelotes

A primeira fase da Operação Zelotes foi deflagrada no dia 26 de março de 2015, com o objetivo de desarticular organizações criminosas que atuavam junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, causando grande prejuízo aos cofres públicos. Os crimes investigados na operação foram: advocacia administrativa fazendária, tráfico de influência, corrupção passiva, corrupção ativa, associação.

*Com informações da Agência Brasil

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