Ex-ministro afirma que "deterioração moral e ética" faz com que as pessoas duvidem de quem faz "o correto"; Calero aproveitou para citar o PSDB

Marcelo Calero, ex-secretário municipal da Cultura do Rio, foi o secretário da Cultura do governo Temer
Tomaz Silva/Agência Brasil - 21.03.15
Marcelo Calero, ex-secretário municipal da Cultura do Rio, foi o secretário da Cultura do governo Temer

Na manhã desta terça-feira (29), o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, publicou no seu perfil do Facebook que não pode mais "tolerar a esculhambação que é a política do nosso País".

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Em uma publicação não pública, Calero ainda negou que "tenha agido a serviço do PSDB" quando denunciou o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB) por tê-lo pressionado para viabilizar a obra de um edifício de alto padrão em Salvador, no qual Geddel é proprietário de uma unidade.

A denúncia do ex-ministro da Cultura foi responsável pela saída de ambos do governo Michel Temer (PMDB). Em sua negação, Calero se referia a informações que circulam em redes sociais de que o seu antigo partido iria se beneficiar com a desestabilização da gestão Temer.

Além disso, Calero afirmou que a busca por uma explicação para a sua denúncia reflete a "deterioração moral e ética" do País. "Infelizmente, sabemos que fazer o certo tem o seu preço", escreveu.

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"Nossa deterioração moral e ética chegou a um nível tal, que muita gente acha 'impossível' alguém simplesmente fazer o correto e buscam uma 'explicação' que não existe. Não podemos mais tolerar a esculhambação que é a política do nosso País", escreveu o ex-ministro no Facebook.

Relembre o caso

Em depoimento à Polícia Federal, ex-ministro da Cultura afirmou ter sido pressionado pelo presidente Michel Temer para liberar um empreendimento imobiliário em Salvador e disse que possui gravações de conversas sobre o assunto.

De acordo com a publicação da última sexta-feira (25) do jornal O Estado de S.Paulo , além do próprio presidente Temer, estão envolvidos nas gravações o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, e o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

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Na última quinta-feira (24), o depoimento do ex-ministro da Cultura caiu como uma "bomba" no Planalto. Ao jornal Folha de S. Paulo , o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) acusou o ex-ministro de ter "enlouquecido" e disse que Temer não "tem o perfil" de fazer pressão sobre aliados. "Esse Calero enlouqueceu. Michel não faz isso. Não acredito, não é o perfil do Michel", disse. Depois da revelação, Calero pediu demissão, seguido de Geddel. 

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