Campanha presidencial de Dilma pagou funcionários de Temer em 2014

Dados do TSE colidem com argumento da defesa do presidente, que afirma que conta independente o irresponsabiliza por eventuais irregularidades
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Dilma cochicha com Temer, durante evento no Palácio do Planalto

A campanha da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014 pagou o salário de assessores pessoais de seu vice na chapa e hoje presidente da República, Michel Temer. As informações são da edição desta segunda-feira (28) do jornal Folha de S.Paulo.

VEJA AINDA:  Ex-ministro Calero define gravação de conversa com Temer como burocrática

De acordo com a publicação, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a chefe de gabinete de Temer e o atual secretário de Comunicação da Presidência foram, por exemplo, remunerados por Dilma durante a campanha presidencial, embora o peemedebista tenha registrado uma conta própria na Justiça Eleitoral.

Ainda segundo o jornal, tais dados do TSE colidem com um dos argumentos da defesa de Temer contra o pedido de cassação da chapa. O presidente argumenta que, por ter uma conta independente, não pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades cometidas durante a campanha.

Para evitar a cassação de seu mandato, a assessoria jurídica de Temer pediu que o caso do peemedebista fosse julgado separademente do da petista.

LEIA TAMBÉM:  "Eu não estava patrocinando interesse privado", afirma Temer sobre caso Geddel

No entanto, segundo comprovantes de depósitos e recibos apresentados ao tribunal, quatro colaboradores diretos do presidente receberam, juntos, R$ 543 mil de julho a outubro de 2014. Os beneficiados, segundo a investigação, seriam a chefe de gabinete, dois assessories de imprensa e o assessor jurídico.

Ao lado do peemedebista há 19 anos, a atual chefe de gabinete da Presidência, Nara de Deus Vieira, recebeu R$ 164,2 mil no período que vai de julho a outubro de 2014. Nas prestações de contas apresentadas ao TSE, ela figura como responsável pela movimentação e abertura da conta em nome de Temer para a disputa presidencial. Porém, seu salário mensal, de R$ 41 mil, foi pago pela campanha da presidente.

E MAIS:  Temer anuncia veto a anistia ao caixa dois e condena gravação de Calero

Chapa da oposição entrou com ações

Derrotados no segundo turno, o PSDB e seus coligados entraram com três ações de impugnação da chapa Dilma/Temer por abuso de poder político e econômico nas eleições. Nas ações, requerem a posse dos senadores tucanos Aécio Neves (MG) e Aloysio Nunes Ferreira (SP) como presidente e vice.

Link deste artigo: https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-11-28/temer.html