MPF sustenta que os laços familiares e de intimidade de Adriana com os demais investigados são inegáveis; político foi preso no dia 17 de novembro

Para  a Justiça, Adriana Ancelmo teve participação na lavagem e na ocultação de recursos  decorrentes da corrupção
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Para a Justiça, Adriana Ancelmo teve participação na lavagem e na ocultação de recursos decorrentes da corrupção

O juiz da 7ª Vara Federal do Rio, Marcelo Bretas, responsável pela força-tarefa da Operação Lava Jato no Estado, determinou nesta segunda-feira (28) o bloqueio de bens imóveis de Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador  Sérgio Cabral, e do escritório de advocacia Ancelmo Advogados, de propriedade dela. O magistrado atendeu a pedido do Ministério Público Federal (MPF).

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No pedido aceito pela Justiça , o MPF sustenta que os laços familiares e de intimidade de Adriana com os demais investigados são inegáveis. As apurações preliminares revelaram que ela praticou diversos atos que, aparentemente, representam evidências de sua participação na lavagem e na ocultação de proveitos de origem ilícita decorrentes da corrupção, supostamente praticada por seu marido, o também investigado Sérgio Cabral.

Na decisão, o juiz Marcelo Bretas disse que, no aprofundamento das investigações, foi identificada a participação da investigada Adriana Ancelmo na atividade da suposta organização criminosa. Por essa razão, segundo o magistrado, tornou-se medida necessária a decretação do bloqueio dos seus bens imóveis, “em especial no que diz respeito à aquisição de grande quantidade de joias de altíssimo valor, normalmente em dinheiro vivo, pela própria investigada ou por pessoas interpostas, nas principais joalherias do Rio de Janeiro”.

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A Operação Calicute, desencadeada no dia 17, que prendeu o ex-governador Sérgio Cabral e oito pessoas ligadas a ele é um desdobramento da Lava Jato. Adriana Ancelmo foi alvo de condução coercitiva, no dia da prisão do marido, quando prestou depoimento na sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio e em seguida foi liberada. Os agentes federais também cumpriram mandado de busca e apreensão no Escritório Ancelmo Advogados.

Lula

O juiz substituto da 10ª Vara Federal, em Brasília, Ricardo Leite, marcou para o dia 17 de fevereiro de 2017 o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ação penal em que ele é réu acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Dois dias antes, às 10h, o juiz substituto vai ouvir o depoimento do ex-senador Delcídio do Amaral, que é réu na mesma ação.

Além de Lula e Delcídio, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele Maurício Bumlai, além do banqueiro André Esteves, Diogo Ferreira, ex-chefe de gabinete de Delcídio; e o advogado Edson Ribeiro são acusados de tentar comprar o silêncio de ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Exceto Delcídio, que será ouvido no dia 15 de fevereiro, todos os demais serão ouvidos no dia 17 de fevereiro.

O pecuarista José Carlos Bumlai será interrogado por meio de videoconferência, já que cumpre prisão domiciliar em São Paulo. Lula e os demais confirmaram que virão à Brasília para as oitivas. 

Todos os envolvidos são acusados de tentar impedir que Cerveró assinasse acordo de delação premiada com a força-tarefa de investigadores da Operação Lava Jato. Hoje, Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, voltou dizer que foi pressionado pelo senador cassado Delcídio do Amaral para que seu pai não celebrasse acordo de delação premiada com a Lava Jato. Entretanto, Bernardo disse nunca ter ouvido os nomes do pecuarista José Carlos Bumlai ou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos encontros que teve com Delcídio.

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Ele confirmou ter recebido uma primeira remessa de R$ 50 mil enviados por Delcídio como uma “ajuda à família”, mas disse não ter ficado com a quantia. O dinheiro teria sido devolvido a Edson Ribeiro, então advogado de Nestor e intermediário do pagamento, para que ele cobrisse custos processuais.


* Com informações da Agência Brasil

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