Cabral acusa governador Luiz Fernando Pezão de ser responsável por obra suspeita

Preso em desdobramento da Lava Jato, Cabral alegou que o atual governador do Rio tinha relação direta com Fernando Cavendish e outros empreiteiros
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebo/Agência Brasil
Ex-governador do Rio, Sérgio Cabral foi preso na Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato, na última quinta-feira

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral declarou em depoimento à Polícia Federal que o atual governador, Luiz Fernando Pezão, foi o responsável pela licitação de reforma do Maracanã, apontada por investigadores como uma das obras suspeitas de pagamento de propina. Cabral foi preso na última quinta-feira (17) na Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato, sob suspeita de chefiar um esquema de corrupção que movimentou R$ 224 milhões  em propina e envolveu, entre outras, a obra no estádio. 

Cabral disse à PF que sempre foi acompanhado dos secretários de Obras a reuniões com as construtoras responsáveis pela reforma. A pasta foi ocupada por Pezão e depois por Hudson Braga, sob a gestão de quem a obra foi finalizada. Braga também foi preso na semana passada.

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A declaração de Cabral foi uma resposta a seu próprio advogado, Ary Bergher, que questionou o cliente quem era o secretário de Obras responsável pela licitação de reforma do Maracanã. Cabral acrescentou que os secretários realizaram várias visitas ao estádio e ele, apenas "umas duas".

O ex-governador disse que, como secretário de Obras e coordenador de infraestrutura, Pezão tinha contato com Fernando Cavendish, da Delta, e com outros empreiteiros.

Cabral também afirmou que Pezão o apresentou a Hudson Braga que, depois de deixar a Secretaria de Obras, se tornou o subsecretário do atual governador.

A assessoria de imprensa do governo do estado informou que Pezão não vai comentar as citações.

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“Mentiras absurdas”

No depoimento, Cabral se referiu às declarações dos executivos da Andrade Gutierrez e da Carioca Engenharia como "mentiras absurdas". As informações foram prestadas em delações premiadas da Operação Lava Jato e fundamentaram a Operação Calicute.

Cabral negou que tenha interferido em assuntos ligados à Petrobras e ao Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) e disse que é mentira que tenha solicitado propina nas obras de terraplanagem do complexo.

O ex-governador também negou ter intercedido junto a clientes do escritório de advogacia da ex-primeira dama Adriana Ancelmo e declarou que também não tem conhecimento da "taxa de oxigênio" que teria sido paga a Hudson Braga. Segundo o Ministério Público Federal, a propina seria de 1% do valor das obras envolvidas.

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