Temer ataca gestão de Dilma e alega que havia "déficit de verdade" no governo

Sem mencionar o nome da ex-presidente, Michel Temer associou atual crise a "tentativas de disfarçar a realidade" em encontro do Conselhão nesta manhã
Foto: Beto Barata/PR - 21.11.16
Michel Temer, entre os ministros Eliseu Padilha e Henrique Meirelles durante encontro do Conselhão no Planalto

Em novo ataque à gestão de Dilma Rousseff, o presidente Michel Temer afirmou na manhã desta segunda-feira (21) que havia um "déficit de verdade" quando ele assumiu o governo. A declaração foi dada na abertura da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico  e Social, o chamado Conselhão.

Temer associou a atual crise econômica a "tentativas de disfarçar a realidade." "No Brasil que encontramos não havia apenas um déficit fiscal. Havia também um certo déficit de verdade. A gigantesca crise que herdamos é produto de reiteradas tentativas de disfarçar a realidade. É preciso encarar os fatos tal como são. Encarar a verdade muitas e muitas vezes é difícil, é desagradável", declarou o presidente em sua primeira participação no Conselhão como presidente da República.

Com a "retomada do crescimento econômico" como tema, o encontro do Conselhão – que teve renovação de 67% de seus integrantes – acontece no Palácio do Planalto. 

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Diferentemente do formato anterior, os ministros de Estado não têm cadeiras no órgão. Eles podem participar dos encontros, mas deverão receber convites em determinados momentos para esclarecer situações específicas de suas pastas. De acordo com a assessoria do conselho, a escolha dos integrantes buscou diversificar a composição com a representação de diferentes regiões. Novos setores também foram contemplados, como por exemplo a segurança pública.

Eliana Calmon, que foi corregedora-geral de Justiça, e Nizan Guanaes, publicitário e sócio-fundador do Grupo ABC de Comunicação, participam pela primeira vez do órgão. Entre os novos quadros que vão integrar o Conselhão estão também o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e o técnico de vôlei Bernardinho.

O Conselho

Criado em 2003, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social tem o objetivo de assessorar o presidente da República e os demais órgãos do Poder Executivo na elaboração de políticas públicas, articulando as relações do governo com os setores da sociedade civil representados.

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Nomes de peso da economia brasileira que já participavam do conselho vão continuar, como Benjamin Steinbruch (presidente da Companhia Siderúrgica Nacional), Jorge Paulo Lemann (um dos sócios controladores da multinacional AB InBev) e Luiz Carlos Trabuco (diretor-presidente do Bradesco). A empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza, e o líder sindical Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores, também permanecerão.

Na abertura do encontro, além de Temer, os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e da Casa Civil, Eliseu Padilha, detalharão os planos para o órgão. Eles vão falar sobre os principais pontos das medidas econômicas de ajuste fiscal propostas pelo Palácio do Planalto. A intenção é que no novo formado os integrantes do governo mais ouçam as ideias dos conselheiros. Murillo de Aragão, cientista político, e a advogada Renata Vilhena também terão direito a falar, assim como outros integrantes.

*Com informações da Agência Brasil

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