Lava Jato: Sérgio Moro começa a ouvir testemunhas de processo contra Lula

Serão ouvidos, nesta segunda, os empresários Augusto Mendonça, Dalton Avancini e Eduardo Leite e o senador cassado Delcídio do Amaral
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - 29.8.2016
Lula é acusado de ter recebido propina no valor de R$ 3,7 milhões no esquema montado para desviar recursos da Petrobras

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, começa a ouvir, nesta segunda-feira (21), os primeiros depoimentos no processo que envolve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a compra e reforma de um triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo. A audiência começa a partir das 14h. 

As testemunhas que serão ouvidas nesta segunda são: o empresário Augusto Mendonça; os ex-dirigentes da Camargo Correa Dalton Avancini e Eduardo Leite e o senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS). O juiz Moro aceitou o pedido da defesa de Lula , que é réu nesta ação, e dispensou ele e sua esposa, Marisa Letícia, de participar das audiências .

De acordo com a Rádio EBC , os depoimentos seguem até o dia 25. Entre as pessoas que devem ser ouvidas até lá estão os ex-diretores da Petrobras, Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Yousseff, o ex-deputado Pedro Correia e o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano.

Acusações

Em uma das ações da Lava Jato em que é réu, na 13ª Vara Federal de Curitiba – comandada por Moro –, o ex-presidente é acusado pelos procuradores que integram a força-tarefa da Lava Jato de ter recebido propina no valor de R$ 3,7 milhões no esquema montado para desviar recursos da Petrobras. O Ministério Público Federal (MPF) afirma que os pagamentos foram feitos por meio do fornecimento de vantagens indevidas, como a reforma do apartamento tríplex em Guarujá, no Litoral paulista, que seria utilizado pelo petista.

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Em outro processo aberto pelo MPF e aceito pela Justiça Federal em Brasília, Lula é acusado de ter agido junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros órgãos ligados ao governo federal para obter a liberação de verbas para a empreiteira Odebrecht. O objetivo das movimentações seria viabilizar obras da construtora em Angola, na África. Em troca, a empresa teria pago propina no valor de aproximadamente R$ 30 milhões.

Lula será testemunha de defesa de Cunha

No início do mês, o juiz Sérgio Moro aceitou que o presidente Michel Temer e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sejam testemunhas de defesa do ex-deputado federal Eduardo Cunha  (PMDB-RJ), preso no fim de outubro em ação decorrente das investigações da Operação Lava Jato, da qual o magistrado é responsável pelas ações penais em primeira instância. 

No caso de Temer, o juiz facultou ao presidente que escolha se prefere ser ouvido em audiência ou responder por escrito aos questionamentos, conforme previsto no artigo 221 do Código de Processo Penal.Temer tem cinco dias para manifestar sua preferência. Já Lula não tem a opção de se manifestar textualmente. Entretanto, Moro abriu a possibilidade para que o depoimento seja feito por meio de videoconferência.

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