Comissão de Ética decide investigar conduta do ministro Geddel Vieira

Órgão decidiu por unanimidade a abertura das investigações sobre conduta do ministro em procurar o ex-ministro da Cultura para assuntos "pessoais"
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil - 23.03.2010
Relator do caso, conselheiro José Saraiva, votou pela abertura do processo nesta segunda-feira (21)


A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu abrir procedimento para apurar a conduta ética do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, ao procurar o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, para tratar de "interesses pessoais".

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Na manhã desta segunda-feira (21), o relator do caso, conselheiro José Saraiva, havia pedido vista por não ter tempo para analisar o processo contra Geddel , mas durante a tarde ele voltou atrás e decidiu pela abertura do processo. 

De acordo com Mauro Menezes, presidente da comissão, o órgão declarou por unanimidade o início das investigações sobre Geddel. 

A partir da terça-feira (22), o ministro terá dez dias para se manifestar sobre o assunto. A depender de outras informações que serão solicitadas, o colegiado já poderá responder sobre o caso na próxima reunião, marcada para 14 de dezembro.

O presidente do órgão informou que, enquanto os conselheiros discutiam o assunto, o ministro Geddel telefonou à comissão. 

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“Ele mostrou boa vontade em responder com máxima rapidez. Expressei ao ministro que ele terá todas as condições de oferecer sua manifestação. A comissão levará em conta seu pronunciamento, produzirá provas que ele eventualmente desejar. Foi uma conversa amistosa, cordial”, assegura Menezes.

Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados - 27.10.16
Ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, pediu demissão do cargo na última sexta-feira (18), alegando 'razões pessoais'


Pedido de demissão

O ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, pediu demissão do cargo na última sexta-feira (18), alegando "razões pessoais".

No fim de semana, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, afirmou que o ministro Geddel Vieira Lima o pressionou a intervir junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para liberar a construção de um edifício de alto padrão em Salvador, onde ele adquiriu um imóvel.

O empreendimento não foi autorizado pelo instituto e por outros órgãos por ferir o gabarito da região, que fica em área tombada. Também em entrevista à Folha, Geddel admitiu ter conversado com Calero sobre a obra, mas negou tê-lo pressionado.

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Durante a tarde de hoje (21), o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, veio a público dizer que o presidente Michel Temer decidiu manter o ministro no cargo.

Segundo Mauro Menezes, a comissão não cogita levantar dúvidas sobre a atitude do conselheiro José Saraiva devido à sua mudança de opinião.

“O tempo foi muito exíguo para cada um formar sua convicção.Temos o maior respeito pelo conselheiro Saraiva, os posicionamentos dele foram fundamentados”, disse, explicando que as denúncias surgiram nas últimas 48 horas.

Na terça-feira (22), um dos sete membros da comissão de ética será sorteado relator do caso.

* Com informações da Agência Brasil

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