Youssef deixa carceragem e passa a cumprir prisão domiciliar após três anos

Progressão da pena é consequência do acordo de delação premiada que ele firmou com o MPF; doleiro já foi condenado em nove processos da Lava Jato
Foto: Alex Ferreira/ Câmara dos Deputados - 27.10.15
Progressão da pena de Youssef é consequência do acordo de delação que ele firmou com o Ministério Público Federal

O doleiro Alberto Youssef, preso há quase três anos por crimes apurados na Operação Lava Jato, deixou nesta quinta-feira (17) a carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba (PR). No começo da tarde, ele foi levado à sede da Justiça Federal do Paraná (JFPR) para colocar a tornozeleira que lhe permitirá cumprir prisão domiciliar pelos próximos quatro meses.

A progressão da pena de Youssef é consequência do acordo de delação premiada que ele firmou com o Ministério Público Federal. Em troca dos depoimentos que ajudaram a elucidar o esquema criminoso na Petrobras , o doleiro ganhou o direito de cumprir prisão fechada por, no máximo, três anos. Ele já foi condenado em nove processos a penas que chegam a 121 anos e 11 meses de prisão.

No dia 17 de março do próximo ano, o doleiro poderá retirar a tornozeleira e progredir para o regime aberto. Caso cometa qualquer crime dentro dos próximos dez anos, ele irá responder integralmente por todos os processos que foram abertos contra ele.

Restrições

Nos próximos quatro meses, Alberto Youssef poderá deixar o imóvel onde reside apenas para realizar sessões de fisioterapia, já que é portador de uma doença cardíaca crônica. Em casa, o doleiro poderá receber apenas visitas que estiverem previamente cadastradas junto à Justiça.

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A tornozeleira utilizada na prisão domiciliar utiliza um GPS e transmissão de dados pela rede de telefonia celular. A tecnologia permite monitorar em tempo real a localização do apenado para garantir que ele está cumprindo as restrições determinadas pelo juiz.

Entenda tudo da Operação Lava Jato

A Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março de 2014, visa desmontar um esquema de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas que movimentou centenas de milhões de reais.

As investigações indicam a existência de um grupo brasileiro especializado no mercado ilegal de câmbio. Em seu centro estão funcionários do primeiro escalão da Petrobras, a maior empresa estatal do Brasil.

A PF apontou o pagamento de propina envolvendo executivos de empresas, especialmente empreiteiras, que assinaram contratos com a companhia de petróleo e políticos. Entre os crimes cometidos, aponta a investigação, estão sonegação fiscal, movimentação ilegal de dinheiro, evasão de divisas, desvio de recursos públicos e corrupção de agentes públicos.

O caminho do dinheiro

De acordo com as investigações da PF, existe uma ligação entre o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, com o esquema de lavagem de dinheiro operado pelo doleiro Alberto Yousseff.  Costa foi preso pela Polícia Federal em 20 de março, enquanto destruía documentos que poderiam ter relação com o inquérito. Em depoimento à Justiça Federal, em outubro, ele revelou o pagamento de propina na Petrobras.

Segundo o ex-executivo da companhia, o dinheiro era cobrado de fornecedores da estatal e redirecionado a três partidos: PT, PMDB e PP. As legendas teriam utilizado os valores na campanha eleitoral de 2010. Os partidos negam que isso tenha ocorrido. Como decidiu colaborar com as investigação, Costa conseguiu um acordo de delação premiada homologado pela Justiça.

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Este tipo de acordo pode ajudar na redução de sua pena em caso de condenação na Lava Jato. O mesmo tipo de acerto foi negociado pelos advogados de Alberto Youssef, que deram uma série de depoimentos à Justiça Federal, contribuindo com informações sobre os envolvidos no esquema dentro dos partidos.

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