Peemedebista é suspeito de receber propina para a concessão de grandes obras públicas; ao todo, a PF está cumprindo 38 mandados nesta quinta-feira

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral
Valter Campanato Arquivo/Agência Brasil
O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB) foi preso na manhã desta quinta-feira (17), em sua casa, no Leblon, bairro da zona sul do Rio de Janeiro, durante operação deflagrada pela Polícia Federal, em ação conjunta com o Ministério Público Federal e a Receita Federal do Brasil.

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De acordo com a investigação da força-tarefa da Operação Lava Jato no Estado do Rio de Janeiro, Cabral teria chefiado um esquema responsável por desvios de R$ 224 milhões em contratos de grandes obras no Estado entre os anos de 2007 e 2014, nos dois mandatos do peemedebista no governo carioca.

Cabral cobrava uma "mesada" de empreiteiras em troca de contratos de grandes obras, como a modernização do Maracanã, o Arco Metropolitano e o PAC Favelas, que tiveram as licitações fraudadas, conforme explicou o procurador do MPF-RJ Lauro Coelho Junior.

"Cabral era o principal nome do núcleo político do esquema. Partindo do pressuposto de que 5% dos contratos iam para o governador e havia mais 1% de uma chamada 'taxa de oxigênio', destinada à subsecretaria de obras, comandada por Hudson Braga, foi possível fazer a estimativa de que houve cobrança de propina envolvendo grandes empreiteiras investigadas na Lava Jato, num total de R$ 224 milhões", explanou o procurador.

Ao explicar o que seria o pagamento da "mesada", o integrante do Ministério Público Federal do Rio disse que Cabral recebeu, por pelo menos um ano, a quantia de R$ 350 mil mensais da empreiteira Andrade Gutierrez. A construtora Carioca Engenharia teria pagado ao peemedebista R$ 200 mil mensais durante um período e depois subiu o pagamento para R$ 500 mil.

Além do já mencionado "núcleo político", o esquema criminoso também contou, conforme as investigações, com dois operadores: Wilson Carlos, ex-secretário de Governo, e Hudson Braga, ex-secretário de obras. Os dois eram responsáveis por tratar com executivos das empreiteiras como seria feito o pagamento da propina – o que ocorria geralmente em dinheiro vivo.

De acordo com o procurador Athayde Ribeiro Costa, que integra a força-tarefa da Lava Jato que atua em Curitiba, os beneficiados pelo esquema lavavam o dinheiro por meio da aquisição de bens de luxo, tais como carros, imóveis e obras de arte.

A Operação Calicute é resultado de investigação em curso na força-tarefa da Operação Lava Jato no Estado do Rio de Janeiro em atuação coordenada com a força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, e tem o objetivo de investigar o desvio de recursos públicos federais em obras realizadas pelo governo do Rio.

A apuração identificou fortes indícios de cartelização de grandes obras executadas com recursos federais mediante o pagamento de propinas a agentes públicos, entre eles, Sergio Cabral, que foi conduzido para a Superintendência da PF, na Praça Mauá, zona portuária da cidade.

Outras prisões

No início da manhã também foi preso o assessor de Cabral, Wagner Jordão Garcia, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

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Ao todo, 230 agentes cumprem 38 mandados de busca e apreensão, oito mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisões temporárias e 14 mandados de condução coercitiva expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, além de 14 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

O nome da operação é uma referência às tormentas enfrentadas pelo navegador Pedro Álvares Cabral a caminho das Índias.

A operação é mais uma etapa ligada à delação premiada da Andrade Gutierrez e da Carioca Engenharia. Ela ocorre um dia após a prisão do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, mas as prisões não têm ligação.

* Com informações da Agência Brasil e da Agência Ansa.