Se suspeitas forem confirmadas, essa será uma evidência de que o ex-presidente petista recebeu favores no exercício do seu segundo mandato

Com essa suspeita sobre a Odebrecht, as acusações da Operação Lava Jato contra o ex-presidente Lula ficam ainda mais reforçadas.
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 29.8.2016
Com essa suspeita sobre a Odebrecht, as acusações da Operação Lava Jato contra o ex-presidente Lula ficam ainda mais reforçadas.

A Polícia Federal investiga suspeitas de que o ex-presidente Lula tenha ganhado da Odebrecht a reforma da piscina do Palácio do Alvorada, durante seu segundo mandato, sem que a obra tivesse registro público ou que qualquer contrato tenha sido firmado. As informações foram publicadas na edição deste domingo (13) do jornal Folha de S.Paulo .

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De acordo com o jornal, a PF passou a suspeitar de tal "presente", a partir da análise de mensagens trocadas em 2008 pelo então presidente da empresa, Marcelo Odebrecht , com outros executivos investigados por causa de seu envolvimento com o esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato.

Com isso, as acusações da Operação Lava Jato contra o ex-presidente Lula ficam ainda mais reforçadas. Por enquanto, o petista responde a três inquéritos, que investigam favores e pagamentos que ele recebeu de empreiteiras como a Odebrecht após deixar o governo.

Se as novas suspeitas forem confirmadas, seria uma evidência de que o ex-presidente recebeu favores também no exercício do mandato, quando os negócios das empreiteiras receberam impulso do governo no Brasil e no exterior.

Investigação sobre o caso

Documentos aos quais o jornal teve acesso confirmam que uma reforma foi realizada na piscina do Alvorada na época das mensagens encontradas pela polícia. Além disso, funcionários da Presidência da República e pessoas ligadas à empreiteira confirmaram à reportagem que a empreiteira fez a obra sem ter contrato.

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De acordo com uma série de relatórios da Presidência, a "colocação de piso de pedra em volta da piscina" do Palácio Alvorada em 2008 foi confirmada.

Ao contrário de outras intervenções realizadas no local entre 2008 e 2016, nesse caso, não há informações oficiais sobre a empresa que fez a reforma, nem o custo ou a existência de contrato para os reparos.

Ainda segundo os relatórioas, em 2013, houve troca de duas válvulas da piscina, substituição de areia dos filtros e de cabos elétricos, tudo feito pela Poli Engenharia, com custo total de R$ 18,5 mil.

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De acordo com a legislação, obras e serviços de pequeno porte como essa até podem ser realizadas por empresas contratadas por convite ou outras modalidades simplificadas de licitação pública. Porém, nenhuma obra pode ser realizada sem contrato.

Procurada, a assessoria do ex-presidente Lula não quis se pronunciar sobre o caso. A Odebrecht também não quis dar declarações.

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