Após primeira audiência em processo sobre propinas em esquema com fundo do FGTS, Lúcio Funaro disse que iria cooperar, mas que "não cogita" delatar; doleiro é apontado como operador financeiro de Eduardo Cunha no petrolão

Eduardo Cunha está preso em Curitiba por envolvimento em ação penal decorrente da Operação Lava Jato
José Cruz/Agência Brasil - 13.07.2016
Eduardo Cunha está preso em Curitiba por envolvimento em ação penal decorrente da Operação Lava Jato

O doleiro Lucio Funaro, apontado pela força-tarefa da Operação Lava Jato como operador financeiro do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quinta-feira (10), ao sair de sua primeira audiência na Justiça Federal em Brasília, que não pretende negociar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

No final de outubro, Cunha e Funaro se tornaram réus no processo  que investiga o recebimento de propina de empresas interessadas na liberação de verbas do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS).

O ex-sócio de Funaro Alexandre Margotto, o ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Fábio Cleto e o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves também são réus na mesma ação.

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“Não cogito fazer delação”, disse Funaro ao deixar sua primeira audiência judicial desde que foi preso em 1º de julho, por ordem do ministro-relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki. “Não cogito porque não sou culpado”, afirmou. Apesar disso, perante o juiz ele disse estar disposto a colaborar integralmente com a Justiça.

Magistrado mantém prisão preventiva

O juiz Vallisney Oliveira de Souza, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, que assumiu o caso após Cunha perder o foro privilegiado devido à cassação de seu mandato, acatou recomendação do Ministério Público Federal (MPF) e decidiu manter a prisão preventiva de Funaro após a audiência de custódia realizada nesta quinta-feira.

Segundo o MPF, além de representar ameaça à ordem pública e à ordem econômica, Funaro tentou intimidar outros réus no mesmo processo.

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“Ameaça ao denunciado Fábio Cleto, íntima relação com outro denunciado, Eduardo Cunha, com o ex-senador Delcídio do Amaral. Tom agressivo, inclusive com sistemáticas atuações no sentido de intimidar as pessoas envolvidas no esquema”, salientou a procuradora da República, Michelle Rangel de Barros, para justificar a manutenção da prisão.

Na denúncia, que foi aceita no fim de outubro, por Vallisney Oliveira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que Funaro mantinha “longa e íntima relação” com o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Janot citou também outras investigações em que Lúcio Funaro esteve envolvido, como o caso da Ação Penal 470, o processo do mensalão, a Operação Satiagraha e o Caso Banestado. No mensalão, Funaro fez acordo de delação premiada e foi absolvido pela Justiça.

*Com informações da Agência Brasil

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