Procuradores da Lava Jato rebatem defesa e reafirmam acusações contra Lula

MPF rebateu uma ação disciplinar dos advogados do ex-presidente contra a atuação da força-tarefa e disse que não só as provas diretas são relevantes
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula - 4.10.16
Procuradoria denunciou Lula por organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e corrupção passiva

A força-tarefa de procuradores da Operação Lava Jato reafirmou nesta sexta-feira (4) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha " papel de liderança na organização criminosa " que atuava para desviar recursos da Petrobras. Os procuradores também defenderam a tese de que em casos de corrupção os acusados não deixam rastros e, dessa forma, é preciso analisar o poder dos apontados como líderes, além das provas.

A acusação do Ministério Público Federal (MPF) está em um documento enviado pelos procuradores ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para rebater uma ação disciplinar dos advogados de Lula contra a atuação da força-tarefa. A petição foi anexada na ação penal a que o ex-presidente responde na Justiça Federal de Curitiba pela própria defesa do petista.

De acordo com os procuradores, em casos de corrupção "tudo é feito no mundo das sombras, sem digitais ou recibos de recebimento de propina", fazendo com que não só as provas diretas sejam relevantes.

No documento, a força-tarefa também rebateu críticas da defesa em relação à convocação de uma entrevista coletiva à imprensa para anunciar a denúncia contra Lula . A entrevista, realizada em setembro, chamou a atenção pela apresentação feita por meio de slides de Power Point.

"O que se fez, na verdade, foi simplesmente explicar, de modo detalhado e fiel ao conteúdo da denúncia, o objeto da acusação. A realização de entrevistas coletivas foi implementada para garantir a transparência e cumprir o dever de informar a sociedade em situação em que há grande interesse público", diz o documento.

Os advogados de Lula sustentam que o MPF reconheceu no documento que não há provas para o recebimento de denúncia e que as acusações deveriam ter sido arquivadas pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo. Para a defesa do ex-presidente, Moro atua como acusador, tarefa que seria somente do MPF.

Denúncia

Em setembro, Moro aceitou denúncia apresentada pelos procuradores que acusam Lula de ter recebido R$ 3,7 milhões de propina de empresas envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras, por meio de vantagens indevidas, como a reforma de um apartamento tríplex no Guarujá (SP) e o pagamento de despesas com guarda-volumes para os objetos que o ex-presidente ganhou quando estava no cargo. As vantagens teriam sido pagas pela empreiteira OAS.

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De acordo com o procurador da República Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa, Lula era o “comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava Jato”. Após a divulgação da denúncia, os advogados do petista afirmaram que as acusações fazem parte de um “deplorável espetáculo de verborragia da manifestação da força-tarefa da Lava Jato”.

* Com informações da Agência Brasil

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