Prefeito de São Paulo avalia que partido deve passar por um processo de autocrítica para que não deixe de ser "protagonista do próximo período"

Prefeito Fernando Haddad admitiu ter sido sondado por outros partidos, mas diz que não se identifica com nenhum deles
Antonio Cruz/Agência Brasil - 27.10.2016
Prefeito Fernando Haddad admitiu ter sido sondado por outros partidos, mas diz que não se identifica com nenhum deles

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, admitiu nesta quinta-feira (3) que o PT errou na gestão das estatais durante o período de pouco mais de 13 anos em que o partido esteve à frente do governo federal. As falhas, na opinião do petista, abriram espaço para os casos de corrupção nas empresas públicas, como a Petrobras, que está no centro das investigações da Operação Lava Jato. Na opinião dele, a sigla precisa passar por um processo de “autocrítica”.

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Haddad avalia que o PT, ao longo das gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, acertou em criar mecanismos de combate à corrupção nos ministérios. “Acho que o PT foi bem em criar a Controladoria-Geral da União e foi muito bem na administração direta. Acho que nós não fizemos a lição de casa em relação às estatais”, comenta o prefeito, que ficará no cargo até o dia 31 de dezembro. As afirmações foram feitas em entrevista à Rádio CBN.

“Aí a justificativa que se dá, e que na minha opinião não é convincente, é a de que, para formar maiorias parlamentares em um congresso tão avesso a alianças com partidos transformistas, era preciso compor com o PMDB, PP, entre outros. Acho que aí foi o ovo da serpente. Na hora em que não se traduziram as políticas de combate à corrupção que funcionaram nos ministérios para as estatais, abriu-se um flanco”, continua.

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Outra falha dos governos petistas e que foi apontada pelo prefeito de São Paulo diz respeito à “reforma do Estado”. “Acho que a situação mais dramática que a gente viveu é que a gente olhou para o social, para o econômico e para o democrático, mas não olhou para o republicano. O Brasil é um país patrimonialista: aqui, as fronteiras entre o público e o privado sempre tiveram pouco nítidas. Acho que a gente tinha que ter tido o compromisso mais republicano de separar essas coisas de uma vez por todas. Por exemplo, na questão dessa relação natural que o Estado tem com o capital, com as empresas. Nós tínhamos que ter traçado a risca de giz.”

Manifestações de 2013

O petista, que foi ministro da Educação entre 2005 e 2012, entende que as manifestações populares ocorridas em 2013, que levaram milhões de pessoas às ruas em diversas cidades do País, “desnortearam” o governo federal. “De lá para cá, foram anos de crise ininterrupta e, na minha opinião, o governo, em primeiro lugar, e o PT, em segundo lugar, não souberam fazer uma leitura adequada e dar uma resposta compreensível para a população.”

Autocrítica

Para o prefeito, o PT tem de passar por um processo de autocrítica e fazer uma análise sobre os casos de corrupção envolvendo a legenda nos últimos anos. “O PT é um partido que tem força e enraizamento na sociedade para se recuperar, mas, que se não fizer uma reflexão sobre os acontecimentos e sobre como vai enfrentar esse desafio, corre risco de não ser protagonista do próximo período.”

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Ele avalia ainda que o PT não pode “querer encobrir seus eventuais erros acusando os adversários de terem feito o mesmo”. “Acho que isso não se deve fazer em política. Essas coisas não se compensam, sobretudo em um partido comprometido com a transformação social. Esse, mais do que todos, tinha que sair dando o exemplo e punindo [quem estiver comprovadamente envolvido em casos de corrupção].”

Outros partidos

Apesar das críticas direcionadas ao PT, Haddad diz não se identificar com outras agremiações existentes do País, mas admite ter sido sondado por outros partidos – que não citou quais – antes do pleito deste ano. Por outro lado, ele garante que não se identifica com outra legenda. Para 2018, negou a possibilidade de sair candidato a algum cargo.

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