Policial que ficou famoso ao conduzir o ex-deputado Eduardo Cunha participou de programa de televisão sem autorização da corporação

Policial Lucas Valença ficou famoso ao conduzir o ex-deputado Eduardo Cunha ao avião que o levou para Curitiba
Reprodução/TV Globo - 24.10.2016
Policial Lucas Valença ficou famoso ao conduzir o ex-deputado Eduardo Cunha ao avião que o levou para Curitiba

A Polícia Federal abriu nesta segunda-feira (24) processo disciplinar contra o agente Lucas Valença, que ficou famoso durante a prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O policial, que ficou conhecido como “Hipster da Federal”, participou do programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da “TV Globo”, sem autorização da corporação.

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Valença, que também foi chamado de “Policial Gato”, ganhou notoriedade na última quarta-feira (19), quando foi filmado conduzindo Cunha até o avião que o levou do Rio de Janeiro para Curitiba, onde está preso em decorrência das investigações da Operação Lava Jato. Além do “Encontro”, ele já havia dado entrevista a um portal ligado à “Globo”.

A assessoria de imprensa da PF confirma a abertura do processo, mas não deu mais detalhes. No programa, Valença disse que está saindo de férias, mas garantiu que o afastamento não tem relação com a repercussão de sua imagem nas redes sociais. Ele afirmou ainda que espera poder voltar a trabalhar normalmente, sem que a fama interfira nas suas atividades na corporação.

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Apesar de não ter sido autorizado a dar entrevistas, o “Hipster da Federal” evitou dar detalhes sobre a ação que resultou na prisão de Cunha, alegando não poder fornecer informações operacionais. Questionado pela apresentadora se o voo teve turbulência, ele riu e disse que o percurso foi “tranquilo”.

Sobre as postagens feitas em suas redes sociais com críticas à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Valença disse que “todos podem e devem ter opinião política”, mas que optou por apagar as mensagens para “evitar problemas futuros”. Ele garantiu ainda que o fato de ter exposto suas considerações sobre as eleições de 2014 não lhe gerou problemas na corporação.

Prisão

A operação policial que resultou na prisão de Cunha foi autorizada pelo juiz Sérgio Moro, que concentra as ações penais da Lava Jato em primeira instância. O ex-presidente da Câmara dos Deputados é réu nos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas. Ele é acusado de ter recebido propinas milionárias por um contrato de aluguel de navios-sonda para a Petrobras e escondido o dinheiro em contas no exterior. Nesta segunda-feira, a defesa do peemedebista apresentou pedido de habeas corpus ao Tribunal Regional Federal  da 4ª região (TRF4), em Porto Alegre.

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