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Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (21) a 10ª fase da Operação Acrônimo; recursos ilegais teriam sido usadas para campanha de 2014

Segundo investigações da Operação Acrônimo, Pimentel teria recebido R$ 1,5 milhão em caixa 2 para campanha de 2014
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 16.5.2011
Segundo investigações da Operação Acrônimo, Pimentel teria recebido R$ 1,5 milhão em caixa 2 para campanha de 2014

Em delação premiada, a publicitária Danielle Fonteles informou às autoridades sobre a movimentação de R$ 1,5 milhão em caixa dois para a campanha eleitoral de 2014 do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). O depoimento de Danielle, que é proprietária da agência de comunicação Pepper Interativa, motivou a 10ª fase da Operação Acrônimo, deflagrada nesta sexta-feira (21) pela Polícia Federal (PF).

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A agência é uma das empresas que teriam participado do esquema de repasses ilegais para a campanha do então candidato. Também foram alvos da operação o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setra-BH) e a construtora Egesa, ambos sediados na capital do Estado, Belo Horizonte. A ação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

De acordo com as investigações, Pimentel teria cobrado vantagens ilegais de empresas no período entre 2011 e 2014, quando era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Como compensação, as companhias seriam incluídas em ações do governo ou teriam facilidades na obtenção de crédito junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social ( BNDES ).

Em resposta às diligências da Polícia Federal , o advogado de Pimentel, Eugênio Paccelli, classificou as declarações de Danielle Fonteles como "difamação premiada". "Lamentamos que tão importante instrumento processual [a delação premiada] esteja sendo frequentemente realizado ao arrepio da lei, desprovido de qualquer prova idônea, e limitado a declarações que sabidamente jamais serão comprovadas.”

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Anteriormente, outras fases da Acrônimo tiveram o objetivo de investigar esquemas supostamente comandados pelo empresário Benedito de Oliveira Neto, o Bené, que foi preso em abril e também fechou acordo para fazer delação premiada. Ele declarou, em um de seus depoimentos, que a empresa Caoa pagou cerca de R$ 10 milhões ao ministério com o intuito de ser beneficiada pelo programa Inovar Auto, cujo objetivo era fornecer incentivos fiscais a companhias do setor automotivo.  Outra informação prestada pelo delator dá conta de que as empreiteiras Odebrecht e JHSF teriam pagado propina em troca de empréstimos fornecidos pelo BNDES para a realização de obras.

Denúncia

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou em maio denúncia ao STJ contra Fernando Pimentel pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro , em ações decorrentes da Operação Acrônimo. O tribunal julgou no início do mês recurso apresentado pela defesa do governador e decidiu que só pode abrir ação penal contra Pimentel se a Assembleia Legislativa de Minas Gerais autorizar.


* Com informações da Agência Brasil

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