Senadora diz que pedido seguiu normas legais e que o objetivo era se proteger de grampos ilegais; operação da PF no Senado prendeu quatro

Gleisi Hoffmann assegura que os procedimentos feitos pela Polícia Legislativa estão de acordo com as regras do Senado
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 11.10.2016
Gleisi Hoffmann assegura que os procedimentos feitos pela Polícia Legislativa estão de acordo com as regras do Senado

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) divulgou na tarde desta sexta-feira (21) nota à imprensa confirmando ter solicitado à Polícia Legislativa uma varredura em seu apartamento funcional, em Brasília, e na sua casa em Curitiba, no Paraná. Ela garante que o pedido foi feito “dentro das atribuições legais” e que o objetivo era se proteger contra grampos ilegais.

Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Federal executou operação no Senado que resultou na prisão de quatro policiais legislativos . Segundo a corporação, “Foram obtidas provas de que o grupo, liderado pelo diretor da Polícia do Senado, tinha a finalidade de criar embaraços às ações investigativas da Polícia Federal em face de senadores e ex-senadores, utilizando-se de equipamentos de inteligência”, diz nota da PF. Além de Gleisi Hoffmann , também teriam sido beneficiados pelas ações Fernando Collor (PTC-AL), José Sarney (PMDB-MA) e Lobão Filho (PMDB-MA).

A petista explica que, após a Operação Custo Brasil, realizada pela Polícia Federal em junho, solicitou ao Senado “que a Polícia Legislativa, dentro de suas atribuições legais, fizesse uma verificação e uma varredura eletrônica nas residências”. Em 23 de junho, o marido da senadora, o ex-ministro do planejamento Paulo Bernardo, foi preso acusado de integrar um esquema de corrupção na pasta. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências do casal.

“Em Curitiba , a busca e apreensão da Polícia Federal foi feita sem nossa presença ou de alguém da família. Não sei o que tinha acontecido. Por isso pedi para fazer a varredura lá também”, acrescentou a petista, que diz haver processo em andamento no Senado com autorização formal para que o procedimento fosse executado. “Esse serviço da Polícia Legislativa existe regularmente há muito tempo. Temos todo processo de pedido formalizado. Tudo dentro das normas do Senado”, destacou.

LEIA MAIS:  Lava Jato investiga R$ 52 milhões movimentados por empresa de Lula

A senadora argumentou que o pedido “não configura obstrução alguma” e que “penas queria ter informação de segurança” em sua residência. “Também consultei a Polícia Legislativa sobre os procedimentos caso achassem algo nos locais. Foi me informado que, se algo fosse encontrado, seria comunicado ao Ministério Público para verificação de possível determinação judicial para o procedimento ou não. Como não encontraram nada, não tomamos nenhuma providência”, finalizou.

Operação Métis

A operação deflagrada pela PF nesta sexta-feira (21), cujo objetivo foi a desarticulação de “associação criminosa armada responsável por embaraçar a Lava Jato ”, cumpriu quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão. Um dos presos é Pedro Ricardo Carvalho, chefe da Polícia Legislativa.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou nota  que reforça os argumentos de Gleisi Hoffmann. “Atividades como varredura de escutas ambientais restringem-se a detecção de grampos ilegais, sendo impossível, por falta de previsão legal e impossibilidades técnicas, diagnosticar quaisquer outros tipos de monitoramentos que, como se sabe, são feitos nas operadoras telefônicas.” Ele garantiu que a Casa “manterá postura colaborativa e aguardará as investigações para quaisquer providências futuras”.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.