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Deputado cassado é acusado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e é suspeito de ter recebido R$ 5 milhões em propina

Eduardo Cunha ao embarcar em avião da PF em Brasília. Deputado cassado foi transferido para carceragem em Curitiba
Lula Marques/AGPT - 19.10.16
Eduardo Cunha ao embarcar em avião da PF em Brasília. Deputado cassado foi transferido para carceragem em Curitiba

Preso nesta quarta-feira (19) pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB) passou a sua primeira noite sozinho em uma cela de 12 metros quadrados em Curitiba.

Cunha foi detido em Brasília e levado na tarde desta quarta para a sede da Operação Lava Jato na capital paranaense. Ainda nesta quinta-feira (20), Cunha passará por um exame de corpo de delito.

A prisão do deputado cassado foi decretada pelo juiz federal Sergio Moro, que acolheu os argumentos da Procuradoria da República segundo os quais o ex-deputado em liberdade representa um "risco" para as investigações.

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Isso porque, mesmo após ter seu mandato de deputado cassado e perder o foro privilegiado, Cunha permanecia na ponte aérea entre Rio de Janeiro e Brasília, onde participava de reuniões políticas e mantinha influência no Congresso.

O ex-presidente da Câmara  é acusado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele é suspeito de ter recebido R$ 5 milhões em propina em contas na Suíça abastecidas com dinheiro de contratos de exploração de petróleo na África.

No despacho em que decretou a prisão, o juiz Sergio Moro disse que há indícios de que o político pratica crimes de forma "reiterada", "profissional" e "sofisticada".

Nenhuma surpresa

De acordo com fontes políticas, Cunha já sabia que poderia ser preso pela Lava Jato  e se preparou. Ele fez uma lista com informações e nomes de alto escalão. Um dos maiores temores em Brasília é a possibilidade de uma delação premiada.

Desde que perdera o mandato de deputado, o peemedebista vinha se dedicando à sua defesa e a um livro sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a crise política brasileira, que pode ser visto como uma espécie de "delação informal".

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No período anterior à sua prisão, o deputado cassado teria dedicado o seu tempo a duas tarefas: preparar a sua defesa na Justiça e construir um arsenal contra partidos. Seu livro já tinha mais de cem páginas prontas.

Para colocar suas "memórias" no papel, Cunha levantou agendas antigas de compromissos públicos e privados. Há meses vinha também esquadrinhando todas as doações que capitaneou para o PMDB, um levantamento que delegou ao corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro, que acabou preso em julho.

* Com informações da Agência Ansa.

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