Lula e Delcídio serão interrogados em fevereiro do ano que vem na Lava Jato

Ex-presidente, o ex-senador e mais cinco são acusados de envolvimento em suposto plano de fuga para evitar a delação premiada de Nestor Cerveró
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil 29.08.2016
Ex-presidente Lula é acusado por Delcídio do Amaral de planejar esquema para impedir acordo de delação de Cerveró

A Justiça Federal marcou para fevereiro do ano que vem o interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ex-senador Delcídio do Amaral e de mais cinco acusados pelo crime de obstrução das investigações da Operação Lava Jato .

No despacho proferido nesta quinta-feira (13), o juiz substituto Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal em Brasília, determinou a intimação dos réus ( Lula , Delcídio, Édson Ribeiro, José Carlos Bumlai, Maurício Bumlai e Diogo Ferreira) para que compareçam ao interrogatório. As testemunhas arroladas na ação penal serão ouvidas a partir do mês que vem.

Obstrução 

A Justiça Federal de Brasília aceitou no dia 29 de julho deste ano a denúncia apresentada pelo
Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF­-DF) contra o ex­-presidente Lula, o ex­senador Delcídio do Amaral, e mais cinco acusados pelo crime de obstrução das investigações da Operação Lava Jato.

Com a decisão, Lula e Delcídio passaram à condição de réus na ação penal, além do ex-­presidente do Banco BTG Pactual André Esteves; Diogo Ferreira, ex­-chefe de gabinete de Delcídio; o empresário José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai; e o advogado Edson Ribeiro. 

Todos os envolvidos são acusados de tentar impedir o ex-­diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró de assinar acordo de delação premiada com a força­-tarefa de investigadores da Operação Lava Jato.

O MPF reiterou a denúncia contra os acusados, que já haviam sido denunciados ao Supremo Tribunal Federal (STF), pelo procurador-­geral da República, Rodrigo Janot.

No entanto, no dia 24 de junho, o ministro Teori Zavascki remeteu o processo para a Justiça
Federal em Brasília, por entender que a suposta tentativa de embaraçar as investigações ocorreu na capital federal. Além disso, com a cassação do mandato de Delcídio do Amaral, nenhum dos envolvidos permaneceu com foro privilegiado na Corte.

Terceira vez

A Justiça Federal aceitou nesta terça-feira (13) mais uma denúncia contra Lula , que agora se torna réu pela terceira vez em processos originados pelas investigações da Operação Lava Jato.

Também estão no processo o empresário Marcelo Odebrecht e outras nove pessoas por cinco crimes. A denúncia aceita pela Justiça foi apresentada na última segunda-feira (10) pelo Ministério Público Federal (MPF), que acusa o petista de ter praticado os crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa.

A Procuradoria sustenta, na denúncia apresentada à Justiça, que o grupo agiu entre os anos de 2008 e 2015. O MPF afirma que Lula intervinha junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros órgãos federais para obter a liberação de financiamentos públicos para a Odebrecht, com objetivo de viabilizar obras da empreiteira em Angola, na África. Para retribuir a aprovação do crédito e o fato de ter sido escolhida pelo governo angolano, acrescenta o Ministério Público, a empresa pagou propinas que ultrapassaram R$ 30 milhões, em valores corrigidos.


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