Defesa do ex-presidente critica o juiz federal Sérgio Moro e afirma que a ação contra o petista é "perseguição" com "inimigos" que foram eleitos

Procuradoria denunciou Lula por organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e corrupção passiva
Roberto Parizotti / Cut - 15.09.2016
Procuradoria denunciou Lula por organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e corrupção passiva


Os advogados de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram nesta segunda-feira (10), na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, quatro ações contra membros da força-tarefa da Operação Lava Jato na capital paranaense.

LEIA MAIS:  MPF denuncia Lula, Marcelo Odebrecht e outras 9 pessoas por 5 crimes

As ações se referem especificamente às denúncias apresentadas contra  Lula  no dia 14 de setembro, quando ele foi acusado de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e falsidade ideológica no tocante à reforma de um apartamento tríplex no Guarujá (SP) realizada pela empreiteira OAS.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, um dos advogados de Lula e da sua esposa, Marisa Letícia, Cristiano Martins,  explicou que as quatro ações se referem à "incompetência" no julgamento dos casos tríplex no Guarujá e de Brasília, na qual Lula é acusado de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. 

LEIA MAIS:  Teori critica “espetacularização” da Lava Jato em denúncia contra Lula

As outras duas se referem à "suspeição" de 13 procuradores que participam da força-tarefa e uma resposta "às acusações imputadas a Lula". Para o advogado de Lula, a apresentação das denúncias realizada pela PF em Curitiba "foi sensacionalista". 

“Isso reduz o direito do réu de ter um julgamento justo. Os procuradores, ao fazerem essa entrevista coletiva, não respeitaram as garantias individuais e fizeram exposição indevida da imagem e da honra de Lula e Dona Marisa", afirma. 

Para o advogado, o juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, perdeu a imparcialidade no julgamento de Lula e seus familiares
Lula Marques/ AGPT - 4.10.16
Para o advogado, o juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, perdeu a imparcialidade no julgamento de Lula e seus familiares


Sérgio Moro

Para o advogado, o juiz responsável pelo julgamento das ações da Lava Jato em primeira instância, Sérgio Moro, perdeu a imparcialidade no julgamento de Lula e de seus familiares.

“Desde março, Moro vem praticando uma série de violações. Houve a privação de liberdade do ex-presidente Lula, houve a divulgação do conteúdo de conversas interceptadas dele e de seus familiares e advogados tiveram telefones interceptados”, acusa Martins.

Motivação Política

Todos os pedidos protocolados nesta segunda-feira pela defesa de Lula serão analisados pelo próprio juiz Sergio Moro. Caso ele rejeite os argumentos, a ação será levada para o Tribunal Regional Federal de Porto Alegre.

Para o advogado, o que está ocorrendo nos processos contra Lula é o chamado lawfare , conceito do Direito que significa a utilização da lei como arma de guerra. “É uma forma de perseguir aqueles que foram eleitos como inimigos”, disse.

Requerimentos

Na ação de defesa, os advogados pedem uma série de documentos a diversos órgãos. Ao MPF, por exemplo, os defensores solicitam a cópia das delações premiadas e a íntegra dos termos de colaboração firmados com os delatores.

LEIA MAIS:  Teori critica “espetacularização” da Lava Jato em denúncia contra Lula

À Petrobras são solicitadas cópias de atas de reuniões do Conselho de Administração, por exemplo. À Bancoop, a relação de todos os empreendimentos que foram transferidos ao grupo OAS e o histórico da cota-parte de Marisa Letícia no tríplex do Guarujá.

À Presidência da República, informações sobre as 84 missões empresariais feitas por Lula enquanto presidente. Há solicitações também de informações a outras empresas e até ao Congresso.

Defesa de Lula solicita à Petrobras as cópias de atas de reuniões do Conselho de Administração envolvendo Lula
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Defesa de Lula solicita à Petrobras as cópias de atas de reuniões do Conselho de Administração envolvendo Lula


Nova denúncia

Sobre a denúncia feita hoje pelo Ministério Público Federal de que o ex-presidente teria usado sua influência para favorecer a construtora Odebrecht e recebido propina em contratos referentes a Angola, o advogado de Lula disse não ter “conhecimento dos termos da denúncia”.

Segundo ele, os pagamentos recebidos por Lula oriundos da Odebrecht se referem às palestras que ele realizou e  “estão no site do Instituto Lula. Toda a documentação está disponível para o público. Não se pode fazer paralelo entre estas palestras e o BNDES”, disse.

*Com informações da Agência Brasil

    Leia tudo sobre: Lula
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.