Ex-presidente é acusado de corrupção passiva em contratos da Odebrecht com uma empresa que tinha seu sobrinho como sócio no país africano

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recebido propina de contratos da Odebrecht com empresa de parente
Marcelo Camargo/ Agência Brasil 29.08.2016
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recebido propina de contratos da Odebrecht com empresa de parente


A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira (5) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva em contratos firmados pela empreiteira Odebrecht com a empresa Exergisa, que tinha seu sobrinho Taiguara Rodrigues dos Santos comoum dos sócios, em Angola, na África.

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Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (5) pela revista "Época", a Polícia Federal diz que há evidências de pagamento mascarado de R$ 20 milhões em propinas por parte da empreiteira. Para os investigadores do caso, os contratos só teriam sido assinados por causa do parentesco do ex-presidente com Taiguara e das relações próximas entre o Lula e a empreiteira Odebrecht.

O sócio da Exergisa também foi indiciado, mas por corrupção e lavagem de dinheiro, assim como sete executivos da construtora, incluindo Marcelo Odebrecht. Ainda de acordo com a "Época", o líder petista era chamado de "chefe maior" nas conversas entre a empreiteira e Taiguara.

O empresário é filho de Jacinto Ribeiro dos Santos, irmão da primeira mulher de Lula, já falecida. O ex-presidente já é réu em dois processos decorrentes da Operação Lava Jato. No primeiro, responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por supostamente ter recebido R$ 3,7 milhões em "vantagens indevidas" da construtora OAS, incluindo um apartamento tríplex no Guarujá (SP).

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No outro, é acusado de obstrução das investigações da própria Lava Jato, ao ter tentado impedir o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró de assinar acordo de delação premiada, de acordo com o Ministério Público Federal.

Lula réu

A Justiça Federal do Distrito Federal acolheu nesta sexta-feira (29) denúncia do Ministério Público Federal e tornou réus o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-senador Delcídio do Amaral, o banqueiro André Esteves, o empresário José Carlos Bumlai e outras três pessoas.

Mas qual a justificativa para que um ex-presidente da República durante dois mandatos consecutivos virasse réu pela primeira vez?

Lula e os demais réus são acusados de tentar evitar a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e, dessa forma, atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, Lula e outras seis pessoas são acusadas de tentar comprar por R$ 250 mil o silêncio de Cerveró – algo que os advogados do ex-presidente negam.

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Segundo comunicado da defesa, Lula "jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos relativos à Lava Jato. A acusação se baseia exclusivamente em delação premiada de réu confesso e sem credibilidade – que fez acordo com o Ministério Público Federal para ser transferido para prisão domiciliar".

Já condenado pela Justiça Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Cerveró está detido desde janeiro de 2015 e citou, em sua delação premiada, diversos políticos como supostos beneficiários do esquema de corrupção na Petrobras.

De acordo com a procuradoria, Lula "impediu ou embaraçou investigação criminal que envolve organização criminosa, ocupando papel central, determinando e dirigindo a atividade criminosa praticada por Delcídio do Amaral, André Santos Esteves, Edson de Siqueira Ribeiro, Diogo Ferreira Rodrigues, José Carlos Bumlai e Maurício de Barros Bumlai".

*Com informações da ANSA