Presidente nacional da sigla, Rui Falcão, chamou de "faccioso" o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e falou em "aparelhamento" da Polícia Federal

Ex-ministro Antonio Palocci foi preso nesta segunda-feira pela Polícia Federal na 35ª fase da Operação Lava Jato
Antonio Cruz/ABr - 8.11.2010
Ex-ministro Antonio Palocci foi preso nesta segunda-feira pela Polícia Federal na 35ª fase da Operação Lava Jato

O diretório nacional do PT classificou a prisão do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci , ocorrida na manhã desta segunda-feira (26), como um “espetáculo pré-eleitoral”. Isso porque a 35ª fase da Operação Lava Jato, que culminou na detenção do petista, ocorreu a seis dias dos pleitos municipais em todo o País. Palocci é acusado de receber vantagens para favorecer a construtora Odebrecht.

Em nota publicada no site oficial da sigla, o partido criticou o fato de, no dia anterior, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ter garantido a militantes do Movimento Brasil Livre (MBL) que novas ações da Lava Jato aconteceriam nesta semana. A afirmação foi feita durante evento em apoio ao deputado federal Duarte Nogueira (PSDB-SP), candidato a prefeito de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Coincidentemente, Palocci foi prefeito da cidade entre 1993 e 1996, já filiado ao PT .

Ex-ministro da Justiça na gestão Dilma Rousseff, Eugênio Aragão considerou como “irresponsável e infantil” as declarações de Moraes no dia anterior. Aragão afirmou ainda que a Lava Jato “está sendo utilizada para fins políticos” e criticou o fato de que, segundo ele, “só pegaram gente do PT”.

Pelas redes sociais, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, chamou Moraes de “faccioso”. “Está correta a postura desse ministro? Pode um ministro de Estado “prever” operação “sigilosa” da PF? Falaram tanto de ‘aparelhamento petista’ e de ‘controle da PF' para, agora, um ministro do governo golpista de [Michel] Temer subir no palanque do PSDB e adiantar operação sigilosa da PF”, criticou.

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Em entrevista coletiva, Moraes minimizou as declarações dadas no domingo (25). “Todos os movimentos que são contra a corrupção estavam preocupados, até porque parte da imprensa vinha defendendo que a Operação Lava Jato deveria parar, que teria exagerado quinta-feira [22] na prisão do ex-ministro [Guido] Mantega. Enquanto nós estivermos no Ministério da Justiça, as operações vão continuar. Seja nesta semana ou na semana que vem. Porque desde que eu assumi, há quase cinco meses, nós não tivemos uma semana sem grandes operações”, disse o titular da Pasta.  Palocci foi levado para Curitiba no início da tarde desta segunda-feira (26).

"Falcatruas"

O senador Álvaro Dias (PV-PR) afirmou, também em redes sociais, que, “com a prisão do ex-ministro Antonio Palocci, a força-tarefa da operação Lava Jato chega às operações feitas pelo governo do PT no exterior, com os empréstimos bilionários concedidos sigilosamente pelo BNDES. Esses empréstimos são inusitados e certamente escondem falcatruas que devem ser reveladas agora pela Justiça Federal e o Ministério Público Federal”.

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