Polícia Federal prende ex-ministro Antonio Palocci na 35ª fase da Lava Jato

Ex-ministro dos governos Lula e Dilma é suspeito de ter recebido propina para favorecer a Odebrecht; dois assessores de Palocci também são presos

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As equipes policiais que atuam na Lava Jato estão cumprindo 45 ordens judiciais, sendo 27 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão temporária (além de Palocci) e 15 mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para a delegacia para prestar esclarecimentos e depois é liberada.

Além do ex-ministro, outros dois assessores de Palocci também foram presos: Juscelino Dourado e Branislav Kontic. As prisões são temporárias, ou seja: as detenções são por cinco dias, prorrogáveis por mais cinco.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11
Ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci foi preso nesta segunda-feira (26) na 35ª fase da Operação Lava Jato

A suspeita dos investigadores é de que Palocci teria ligação com o comando da empreiteira Odebrecht, a maior do Brasil. A operação investiga se o ex-ministro e outros envolvidos receberam dinheiro para beneficiar a empreiteira em contratos com o governo.

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Segundo a PF, as negociações envolviam a Medida Provisória 460, de 2009, que tratava de crédito-prêmio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além do aumento da linha de crédito da Odebrecht no Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um país africano, além de interferência em licitação da Petrobras para a aquisição de 21 navios-sonda para exploração da camada do pré-sal.

As primeiras suspeitas contra Palocci na Lava Jato foram feitas a partir do depoimento do ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

'Italiano'

De acordo com a Polícia Federal, o nome ' Omertá'  dado à investigação policial é uma "referência à origem italiana do codinome que a construtora usava para fazer referência ao principal investigado da fase ('italiano'), bem como ao voto de silêncio que imperava no Grupo Odebrecht que, ao ser quebrado por integrantes do 'setor de operações estruturadas' permitiu o aprofundamento das investigações.  Além disso, remete à postura atual do comando da empresa, que se mostra relutante em assumir e descrever os crimes praticados".

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Aproximadamente 180 policiais federais e auditores fiscais estão cumprindo as determinações judiciais em cidades nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

*Com informações da BBC Brasil e da Agência Brasil

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