Tamanho do texto

MPF afirma que valor utilizado na aquisição do terreno foi descontado das vantagens indevidas combinadas com a Odebrecht para favorecer o PT

O Ministério Público Federal (MPF) afirmou nesta segunda-feira (26) que as provas até agora colhidas 35ª  fase da Operação Lava Jato apontam que, além dos pagamentos realizados em favor de Mônica Moura e João Santana em favor do PT, os subornos repassados ao ex-ministro Antônio Palocci também envolveram a aquisição do terreno inicialmente destinado à construção da nova sede do Instituto Lula, identificado na planilha pela rubrica “Prédio (IL)”.

Segundo a Procuradoria, há indicativos de que a aquisição do terreno inicialmente destinado ao Instituto Lula foi acertada com o ex-ministro e seu valor foi descontado das vantagens indevidas pactuadas com a empreiteira Odebrecht para favorecer o PT.

Ex-ministro Antonio Palocci foi preso na manhã desta segunda-feira (26) no âmbito da Operação Lava Jato
Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11
Ex-ministro Antonio Palocci foi preso na manhã desta segunda-feira (26) no âmbito da Operação Lava Jato



"Identificaram-se ainda registros de que, além do repasse de mais de R$ 12 milhões anotados na planilha 'Programa Especial Italiano', vinculados ao 'IL',  Palocci recebeu documentos encaminhados via e-mail pelo presidente da Odebrecht relacionados à compra do terreno (em mensagens sob o título 'Prédio Institucional', 'Prédio do Instituto' e planilha intitulada 'Edificio.docx')", informou o MP.

Leia mais:  Moro bloqueia até R$ 128 milhões de Antonio Palocci e de alvos da Omertá

Operação Omertá

Em coletiva para detalhar a 35ª fase da Operação Lava Jato, a procuradora da República Laura Gonçalves Tessler disse que Palocci teve atuação “intensa e reiterada” na defesa de interesses da empreiteira Odebrecht na administração pública federal.

“Se verificou uma atuação intensa e reiterada de Palocci na defesa de interesses da empresa perante a administração pública federal envolvendo contratos com a Petrobras, questões veiculadas e medidas legislativas. Essa atuação se deu mediante a pactuação e recebimento de contrapartidas em favor do Partido dos Trabalhadores. Palocci, ao que tudo indica, atuava como gestor dessa conta tendo atuado desde 2006 até pelo menos novembro de 2013, comprovadamente, com pagamentos documentados nessa planilha”, disse a procuradora.

Veja também:  Advogado diz que prisão de Palocci na Lava Jato se deu "ao estilo ditadura"

Os valores discriminados na planilha da construtora eram registrados em nome de "italiano”, segundo a Polícia Federal. O delegado da PF Filipe Pace disse que não há “sombra de dúvida” de que o “Italiano” que aparece nas planilhas de Marcelo Odebrecht é o ex-ministro Palocci.

A procuradora Laura Gonçalves destacou que repasses registrados para o Italiano não ocorreram apenas em período eleitoral. “O que revela mais claramente se tratarem de propina, já que não havia em curso qualquer campanha eleitoral que subsidiasse esses pagamentos”, disse.

Defesa

O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, criticou a prisão de seu cliente, dizendo que tudo ocorreu de maneira secreta, ao estilo ditadura militar. “Estamos voltando aos tempos do autoritarismo, da arbitrariedade. Não há necessidade de prender uma pessoa que tem domicílio certo, que foi duas vezes ministro, que pode dar todas as informações quando for intimado. É por causa do espetáculo?”, questionou.

O advogado também negou as acusações apresentadas pela força-tarefa da Operação ao juiz Sérgio Moro. “Isso é uma coisa absolutamente vaga, vazia. Para quem quer pretexto, isso é pretexto, mas o fato é que o ministro da Fazenda tem que ter uma interlocução com o setor empresarial, com a cadeia produtiva do Brasil, para que se estabeleçam as políticas públicas. Se um ministro conversa com alguém da iniciativa privada, já é suspeito de praticar crime?”, perguntou Batochio.

E mais:  Ministro da Justiça diz que Lava Jato acontece independente de eleições

Já o Instituto Lula disse que, "desde que foi criado, em 2011, o Instituto Lula funciona em um sobrado adquirido em 1991 pelo antigo Instituto de Pesquisas do Trabalhador. No mesmo endereço funcionou, por mais de 15 anos, o Instituto Cidadania. Originalmente, era uma imóvel residencial, semelhante a tantos outros no bairro Ipiranga, zona sul de São Paulo.

Mais uma vez, querem impingir ao ex-presidente Lula uma acusação sem materialidade, um suposto favorecimento que nunca existiu, inventando uma sede que o Instituto Lula nunca teve, com o claro objetivo de difamar sua imagem.

Ao longo desses 20 anos, o endereço e o compromisso do Instituto Lula com a democracia e a inclusão social permanecem os mesmos".

    Leia tudo sobre: lula
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.