Paulo Okamotto é investigado na Operação Lava Jato; desembargador disse que não é possível conceder liminar contra eventual decisão de Sérgio Moro

Ex-presidente Lula rebate denúncias do MPF contra ele e sua mulher Marisa Letícia por crimes de corrupção na Lava Jato
Roberto Parizotti / Cut - 15.09.2016
Ex-presidente Lula rebate denúncias do MPF contra ele e sua mulher Marisa Letícia por crimes de corrupção na Lava Jato

O desembargador João Pedro Gebran Neto negou habeas corpus protocolado pela defesa do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, para impedir abertura de uma ação penal. Na decisão, o magistrado entendeu que não é possível conceder liminar contra eventual decisão do juiz Sérgio Moro.

Na semana passada, a força tarefa de investigadores da Operação Lava Jato denunciou  Okamotto pela acusação de atuar para que a empreiteira OAS pagasse o aluguel de contêineres do acervo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo os procuradores, entre 2011 e 2016 foram feitos 61 pagamentos mensais no valor de R$ 21,5 mil.

Caberá ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, decidir se aceita ou rejeita a denúncia.

Defesa

Na última sexta-feira (16), a defesa do presidente do Instituto Lula pediu ao juiz federal Sérgio Moro  que rejeite a denúncia apresentada contra ele, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais seis investigados na Operação Lava Jato.

Na petição, Okamotto também pede que sejam abertos os 10 contêineres com o acervo presidencial de Lula para "garantir ao povo" o direito de acesso a 400 mil cartas recebidas pelo ex-presidente.

Suposto esquema de corrupção apontado pelo Ministério Público Federal: ex-presidente Lula no epicentro da organização
Reprodução/Globonews
Suposto esquema de corrupção apontado pelo Ministério Público Federal: ex-presidente Lula no epicentro da organização

De acordo com os advogados de Okamotto, o ex-presidente não recebeu vantagens indevidas e os bens que Lula recebeu quando estava no cargo “integram o patrimônio cultural brasileiro e são declarados de interesse público”, de acordo com a lei.

Pirotecnia

Também na sexta-feira (16), cercado por aliados do Congresso Nacional e militantes do Partido dos Trabalhadores, o ex-presidente Lula esbravejou contra o Ministério Público Federal  e chamou de "pirotecnia" a denúncia que o classificou como "o comandante máximo do esquema de corrupção" investigado pela força-tarefa da Operação Lava Jato, apresentada por procuradores na quarta-feira (14).

"Sabe o que é o G8? É tudo aquilo que o sociólogo sonhava em participar", discursou Lula, exaltando o fato de ao longo de seus mandatos ter sido convidado a todas as reuniões do grupo que engloba as maiores economias do mundo, em referência ao seu antecessor na Presidência da República, Fernando Henrique Cardoso.

Na sequência, dizendo-se injustiçado por ter sido denunciado pelo Ministério Público Federal embasado no que chamou de "mentiras", lembrou da operação da Polícia Federal que encontrou quase meio quilo de cocaína no helicóptero da família – e dentro de propriedade pertencente a ele – do senador Zezé Perrella (PTB-MG).

Do meio político, Lula também lembrou dos adversários que votaram a favor do impeachment, os antigos aliados que mudaram de voto de uma hora para outra e elogiou, alguns nominalmente, os senadores que apoiaram a ex-presidente do início ao fim do processo.

* Com informações da Agência Brasil

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