Pecuarista, Nestor Cerveró e mais seis réus foram condenados pelo juiz Moro pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção

Operação Lava Jato: Bumlai é investigado por crimes financeiros envolvendo empréstimo do banco Schahin para o PT
Valter Campanato/Agência Brasil - 1º.12.15
Operação Lava Jato: Bumlai é investigado por crimes financeiros envolvendo empréstimo do banco Schahin para o PT

A Justiça Federal no Paraná divulgou nesta quinta-feira (15) a sentença em que o juiz federal Sérgio Moro condena o pecuarista José Carlos Bumlai, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e mais seis réus da 21ª fase da Lava Jato pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção passiva e ativa.

LEIA MAIS: Bumlai afirma que mulher de Lula pediu ajuda para ampliar sítio

Bumlai recebeu uma pena de nove anos e dez meses de prisão pelo seu envolvimento na Lava Jato . Ele é responsabilizado pelo empréstimo de R$ 12 milhões feito junto ao Banco Schahin, em outubro de 2004. Em depoimento à Justiça, segundo o pecuarista,  o dinheiro foi destinado ao PT.

“Ninguém obrigou José Carlos Costa Marques Bumlai a aceitar figurar como pessoa interposta no contrato de empréstimo ou aceitar a quitação fraudulenta do empréstimo ou a simular a doação de embriões bovinos. É óbvio que assim agiu para, assim como o Grupo Schahin, estabelecer ou manter boas relações com a agremiação política que controlava o governo federal”, diz Moro.

LEIA MAIS: Nestor Cerveró deixa carceragem da PF e vai cumprir prisão domiciliar no Rio

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), em relatório constante da sentença, o Banco Schahin concedeu, em outubro de 2004, um empréstimo de R$ 12.176.850,80 a Bumlai. O dinheiro teria como beneficiário real o PT, tendo o pecuarista sido utilizado somente como pessoa interposta. O empréstimo, com vencimento previsto para novembro de 2005, não foi pago e nem tinha garantia.

Nestor Cerveró foi condenado a seis anos e oito meses em regime semiaberto, por ter participado do esquema de corrupção
Wilson Dias/ Agência Brasil (10/09/2014)
Nestor Cerveró foi condenado a seis anos e oito meses em regime semiaberto, por ter participado do esquema de corrupção

“A dívida, sem que tivesse havido qualquer pagamento até então, foi quitada em 28/12/2009, mediante prévio contrato de transação, liquidação e dação em pagamento de embriões de gado bovino por José Carlos Bumlai a empresas do Grupo Schahin, e que foi celebrado em 27/01/2009. A dação [extinção da dívida] em pagamento teria sido simulada, pois os embriões bovinos nunca foram entregues”, diz o documento.

Segundo o MPF, a verdadeira causa para a quitação da dívida teria sido a contratação da Schahin pela Petrobras para operação do Navio-Sonda Vitoria 10.000, o que ocorreu em 28 de janeiro de 2009, “com memorando de entendimento entre a Petrobras e a Schahin, tendo se iniciado em 2007. O contrato foi celebrado pelo prazo de dez anos, prorrogáveis por mais dez anos, com valor global de pagamento de U$ 1,562 bilhão”.

LEIA MAIS:  Moro autoriza prisão domiciliar de Bumlai, com câncer na bexiga

Nestor Cerveró foi condenado a seis anos e oito meses em regime semiaberto, por ter participado da contratação do grupo para operação do navio da Petrobras.

Entre os condenados estão também o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, condenado a seis anos e oito meses de reclusão em regime semiaberto. Milton Taufic Schahin e Salim Schahin receberam uma pena de nove anos e dez meses de prisão por crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira e corrupção ativa e o executivo Fernando Schahin a cinco anos e quatro meses em regime semiaberto.

Na ação, Moro absolveu Jorge Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, do crime de corrupção passiva na Lava Jato por falta de provas. Maurício de Barros Bumlai também foi absolvido dos crimes de corrupção passiva e de gestão fraudulenta de instituição financeira por falta de provas suficientes.

* Com informações da Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.