Grupo anti-Temer desafia proibição de Alckmin e confirma atos para domingo em SP

Governo paulista proibiu a realização de manifestações sob justificativa que Av. Paulista faz parte do trajeto da passagem da tocha paralímpica na data
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Manifestante em protesto contra governo Temer; Frente Brasil afirma que ato 'não coincidirá' com a passagem da tocha


Principal movimento contra o impeachment no País, a Frente Brasil Popular resolveu desafiar a decisão do Governo do Estado de São Paulo e confirmou nas redes sociais que irá realizar um ato contra o governo Michel Temer na Avenida Paulista, região central da capital, no próximo domingo (4).

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A gestão de Geraldo Alckmin proibiu a promoção de quaisquer  manifestações  políticas na via no domingo sob a justificativa de que a tocha paralímpica passará pelo local na data. O veto foi divulgado pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) na quinta-feira (1º) – os Jogos Paralímpicos começam na próxima quarta-feira (7).

Em nota, a Frente Brasil Popular explica que o protesto "não coincidirá" com a passagem da tocha pela Paulista, já que a concentração está agendada para ocorrer a partir das 15h, em frente ao vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Segundo o governo do Estado, a passagem da tocha está programada para ocorrer no início da tarde, entre as 13h e as 14h. 

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"Em primeiro lugar, não entendemos que caiba à Secretaria de Segurança ou à Polícia 'permitir' ou não uma manifestação popular. A Constituição nos assegura este direito. De toda forma, não é de nosso interesse prejudicar a passagem da tocha paraolímpica [...]", publicou o grupo. 

Advogado e coordenador nacional da Frente Brasil Popular, Raimundo Vieira Bonfim afirmou ao iG  que protocolou um requerimento junto à SSP para atrasar ainda mais o horário da manifestação para as 16h30, mas afirmou que "não há chances" de alterar o local do ato.

"Não queremos conflito com a polícia. Nosso direito de manifestação está assegurado pela Constituição. Quantas vezes a Paulista foi palco de protestos de grupos contra Dilma?", indagou Bonfim. 

Foto: Facebook/Reprodução
Manifestantes da Frente Brasil Popular em protesto contra governo de Michel Temer na última quinta-feira (1º)


Em sua página do Facebook, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou ter "mediado entendimento entre os organizadores das manifestações de domingo e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo" e garantiu que o ato ocorrerá, "preservando, com segurança, a passagem da tocha paralímpica e garantindo o direito democrático de livre manifestação".

Em resposta à reportagem, a Secretaria de Segurança Pública recorreu ao decreto editado pelo presidente Michel Temer que "autoriza o emprego das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem" caso haja protestos na Paulista. A Polícia Militar disse que sua conduta dependerá da SSP e afirmou que, até o momento, mantém a proibição.

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Organizadora do protesto, a Frente Brasil Popular é composta por entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a União Nacional dos Estudantes (UNE), grupos historicamente ligados ao Partido dos Trabalhadores, além de parlamentares do próprio PT, PCdoB, PCO e PMDB. Até a tarde desta sexta-feira (2), 23 mil pessoas haviam confirmado presença no evento do ato no Facebook.

Além de São Paulo, estão programados atos em Brasília e em João Pessoa. 

Foto: Mel Coelho /Mamana Foto Coletivo
Deborah Fabri, de 19 anos, afirma ter perdido a visão do olho esquerdo em confronto com a PM durante protesto


Escalada de violência

Desde de a confirmação do impeachment de Dilma Rousseff na última quarta-feira (31), protestos a favor da ex-presidente foram marcados por confrontos com a Polícia Militar na capital paulista. 

Os atos começaram na Avenida Paulista e continuaram pela rua da Consolação, onde os manifestantes foram dispersados. 'Black blocs' infiltrados promoveram a depredação de prédios (públicos e privados) e violência na região central da cidade. Uma série de estabelecimentos comerciais e agências bancárias foram destruídas.

A jovem Deborah Fabri, de 19 anos, afirmou ter perdido a visão do olho esquerdo na manifestação. Testemunhas dizem que Deborah foi atingida por estilhaços de bombas lançadas pela PM. 

Em nota, o Ministério Público do Estado de São Paulo informou estar "observando as ocorrências" e afirmou que, até o momento, não designou um promotor de justiça para acompanhar as investigações do caso porque Deborah "não procurou a autoridade policial".

Em relato à revista "Veja", o estudante de direito da Universidade Mackenzie Eduardo Magnoni também disse ter sido atingido no rosto por uma pedra lançada por um 'black bloc' que passava junto aos manifestantes pela rua Maria Antônia, do bairro de Higienópolis, na última quarta-feira (31). 


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